O impacto econômico do roubo de cargas

Editorial / 29/09/2017 - 06h00

Além dos buracos, precariedade e má conservação das estradas, pedágios caros e perigo de acidentes, o roubo de cargas é um dos principais problemas que assombram as rodovias brasileiras e motoristas que por elas trafegam. Violência que atinge em cheio a economia do país, que já há algum tempo anda em marcha lenta. 

De 2011 a 2016, o roubo de cargas causou um prejuízo de mais de R$ 6,1 bilhões em todo o país. Foram quase 100 mil ocorrências desse tipo  nesse período, segundo os dados de um estudo sobre o impacto econômico desse tipo de crime no Brasil, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Em Minas, o levantamento estima que o roubo de cargas já tenha causado um prejuízo de pelo menos R$ 250 milhões nos últimos seis anos. A mesma pesquisa aponta que o estado é o terceiro em número de ocorrências, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, onde concentram-se a maior parte das fábricas e indústrias brasileiras de grande porte. 

As cargas mais visadas pelos bandidos são produtos alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, produtos farmacêuticos ou químicos, têxteis, autopeças, combustíveis e bebidas.

A questão é mesmo gravíssima. Em uma lista de 57 nações, o Brasil é apontado como o oitavo com maior risco para o roubo de carga, à frente de países em guerra e conflitos civis, como Paquistão e Sudão do Sul. 

A violência descomunal e o altíssimo número de ocorrências de roubos e furtos de cargas reflete nos custos operacionais, como o valor do frete e do seguro. 

Junto com as despesas com combustível e pneu, o investimento em proteção e segurança já está entre os três itens que mais pesam para os transportadores. Cada vez mais empresas de transporte apelam para rastreadores, centrais de monitoramento, apólices de seguros mais completas – e caras – e até para escolta armada. 

A carga é pesada e fatalmente acaba refletindo no bolso do consumidor. 

 

 

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