O mal do século no ambiente acadêmico

Editorial / 02/09/2017 - 06h00

Transtornos mentais, como a depressão, estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros. Muito comuns no ambiente empresarial, onde o grau de exigência e o nível de competitividade são elevados, essas doenças psíquicas também vêm invadindo o ambiente acadêmico. 

Maior universidade de Minas e uma das mais importantes do país, a UFMG sente na pele o mal do século. Mais de 60% dos atendimentos periciais de trancamento de matrícula de alunos ativos feitos pelo Departamento de Atenção à Saúde do Trabalhador (Dast) tiveram como fatores motivadores transtornos mentais e de comportamento, conforme o último levantamento. 

O órgão, que atende principalmente funcionários da universidade, também dá suporte a estudantes que procuram ajuda. Em 2014, cerca de 130 alunos alegaram sofrimento mental como a principal razão para se afastar da escola e dos estudos.
No rol dos transtornos mais frequentes estão ansiedade, estresse pós-traumático e a depressão. Outros exemplos comuns de adoecimento psicológico são o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), o transtorno bipolar, a síndrome de burn out, causada pelo esgotamento físico e mental, e a síndrome do anancástico, que é a mania de perfeição. 

A crise econômica que toma conta do Brasil e o medo do fracasso contribuem para a piora da tensão na vida moderna. Tristeza súbita, sensação de medo, taquicardia e episódios de choro são cada vez mais frequentes. Se uma lesão é visível, por outro lado é muito difícil enxergar se o estudante, professor ou funcionário está deprimido. 

Na maioria das vezes, os jovens se calam. Sem encontrar amparo e compreensão, sofrem sozinhos. Se não tratadas, essas doenças podem desencadear um processo difícil de ser revertido. O fim pode ser o suicídio. 

Infelizmente, a universidade vive um problema análogo ao das cidades de médio porte, em que uma em cada dez pessoas sofre com algum transtorno mental, de acordo com os parâmetros da Organização Mundial de Saúde. 

Não dá mais para ignorar ou virar a cara para a questão. É preciso construir uma política de atenção em saúde mental dentro e fora das universidades. Não é frescura. São vidas em jogo. 

 

 

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