O poder público sempre fica para trás

Editorial / 16/05/2017 - 06h00

O brasileiro está se virando como pode nessa que é uma das maiores crises da história do país. Muitos partiram para o próprio negócio antes do que planejavam, após perderem os empregos. Empreender, às vezes, é o único caminho. E na hora do aperto, a criatividade acaba aflorando. 

De situações complicadas como essas é que surgiram algumas das maiores empresas do país e do mundo. Certamente, algum grande negócio do futuro está sendo gerado neste momento, em um ambiente pouco favorável ao risco. Quem conseguir sobreviver terá um empreendimento duradouro. 

Primeiro veio a onda dos chamados ‘Food Trucks’ – que não é nada mais que uma versão moderna do tradicional carrinho de cachorro-quente ou do trailer de sanduíches. Muitos são ex-donos de restaurantes e bares que optaram pela venda nas ruas, principalmente por causa do preço do aluguel. E estão se saindo bem.

Mostramos nesta edição que outra opção de negócio ainda mais “enxuto” está se tornando uma febre na capital: as “food bikes”. Com o mesmo princípio dos carros, elas têm a vantagem de precisar de investimento inicial bem mais barato e ter mobilidade maior. 

O que essas duas modalidades têm em comum é a falta de uma regulamentação específica. Os trucks ainda podem ser enquadrados no Código de Posturas de BH, justamente pela semelhança com os carrinhos antigos, o que não é o caso das bikes. 

São mais dois exemplos de como a legislação e a estrutura dos governos no país levam muita gente para a clandestinidade. Claro que é impossível que, a cada surgimento de nova modalidade de negócio, o que será cada vez mais comum, a cidade tenha que ter uma lei específica. A norma poderia ser feita por um decreto simples da prefeitura, baseado em uma lei geral sobre o uso e ocupação do solo. 

Mas hoje, apesar do esforço de alguns parlamentares em elaborar projetos, os empreendedores vivem um clima de incerteza geral, com risco de uma multa comprometer todo o faturamento de um mês  de trabalho. 

É função do poder público regulamentar o que ocorre na cidade, mas é ainda mais importante saber o que está acontecendo no município, como as pessoas estão se comportando e protegê-las. Sem essa sinergia, os gestores sempre  estarão a algumas pedaladas do que é feito nas ruas. 

 

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