Ofensiva popular para exterminar o mosquito

Editorial / 02/02/2018 - 06h00

O cenário político provoca discussões acaloradas e até coloca em lados opostos quem sempre teve boa convivência. Os números da economia fazem perder o sono, o emprego, a renda, o sossego. Mas não tem além de meio centímetro de comprimento e 24 horas de vida o mal que tem verdadeiramente aterrorizado o brasileiro nos últimos tempos: o famoso e temido Aedes aegypti. Afinal, para a morte, não há antídoto.

Por aqui, o bendito mosquitinho não tem dado trégua. Nesta semana, dados oficiais divulgados pela Secretaria de Estado e Saúde de Minas apontaram que, só no primeiro mês deste ano, foram registrados 2.221 casos de dengue, 496 de chikungunya e 17 de zika vírus. São todas doenças causadas pelo Aedes aegypti, vale ressaltar. Dessas três, “somente” a primeira é letal, mas as demais têm efeitos duradouros e até incapacitantes.

Como se não bastasse, o Aedes também é responsável pela transmissão da febre amarela em áreas urbanas. Desde dezembro, conforme nossa reportagem mostrou na edição de ontem, vem ocorrendo uma morte por dia no Estado, em decorrência de complicações da doença. De lá para cá, 36 pessoas já perderam a vida. Em apenas uma semana houve alta de 44% no total de óbitos, sem contar as 13 mortes que ainda estão sendo investigadas.

Isso mostra que a guerra contra o mosquito não pode ter intervalos ou descuidos, sob pena de ocorrência de epidemias. A corrida aos postos em busca de imunização e toda a campanha em torno do assunto resolvem a necessidade premente de proteção, mas as estatísticas confirmam o que todo mundo já sabe: o Aedes ataca em diversas frentes, tem arsenal variado de combate.

Justamente por isso, o medo transformou belo-horizontinos em fiscais na luta pelo extermínio dos criadouros do Aedes, sobretudo agora no verão, período em que a reprodução do vetor se intensifica. A cada 24 horas, pelo menos 15 pedidos de eliminação de focos do Aedes são feitos na Prefeitura de BH. Só nos primeiros 19 dias deste mês foram quase 300 solicitações. Sinal de que a população está disposta a lutar nessa guerra declarada ao mosquito.

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