Os efeitos da guerra do aço de Trump

Editorial / 13/03/2018 - 06h00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um colecionador de polêmicas. Desde que chegou à Casa Branca, já disparou contra os imigrantes que vivem na Terra do Tio Sam, atacou o “Obamacare”, sistema de saúde do país, cogitou construir um muro na divisa com o México - e cobrar o vizinho por isso - e ofendeu nações africanas, entre outras excentricidades para não dizer outra coisa. 

A aposta mais recente de Trump é uma forte medida protecionista. Ele anunciou que irá impor um tributo de importação de 25 % sobre o aço e de 10% sobre o alumínio vindos de outros países. A justificativa do presidente norte-americano, que fez carreira como apresentador de TV, é que a ação irá proteger a indústria siderúrgica dos Estados Unidos, que convive com uma concorrência “injusta”. Citou ainda questões de segurança nacional na definição das tarifas, afirmando que os EUA precisam de oferta doméstica de aço e alumínio para tanques e navios de guerra.

A declaração caiu como uma bomba na União Europeia e também no Brasil, segundo maior exportador de aço para os norte-americanos, atrás apenas do Canadá. E o impacto pode ser desastroso para Minas Gerais. 

Segundo a Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), do total de 4,7 milhões de toneladas de aço vendidas pelo Brasil aos EUA em 2017 - crescimento de 66% em relação a 2011 -, o que gerou faturamento de US$ 2,6 bilhões, cerca de 17% foram produzidos no nosso Estado. Portanto, os prejuízos podem ser ainda maiores, caso as exportações venham mesmo a ser bloqueadas pela barreira criada por Trump. 

Em risco está toda a cadeia produtiva do aço, que inclui setores como o de veículos e de material eletrônico, tanto em termos de exportações como de importações. 
O governo brasileiro, com apoio de entidades como o Instituo Aço Brasil, está empenhado em fazer com que os norte-americanos revejam a decisão de sobretaxar o aço brasileiro. Mas tratando-se de Trump, é difícil saber o que esperar. O cenário é nebuloso. Para Minas, para o Brasil e para o mundo. 
 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários