Pedestres são os reais donos das cidades

Editorial / 08/08/2018 - 00h00


As metrópoles brasileiras, e Belo Horizonte não foge à regra, estão cada vez mais abarrotadas de veículos. Carros, motocicletas, caminhões e ônibus dominam a lógica das intervenções urbanas, deixando em segundo plano as iniciativas para beneficiar o que todos os motoristas são, em última análise: pedestres. 

Por mais que sejam vistos, aqui e a ali, exemplos de preocupação com pessoas que não usam – ou não estejam usando, em determinados momentos – veículos automotores para se deslocar, como a construção de ciclovias, praças e quarteirões fechados para estimular a convivência dos cidadãos, o que prevalece, sempre, são as obras que têm por objetivo a melhorar ou ampliar o fluxo dos veículos.

É nesse contexto que ganha enorme importância o Dia Mundial do Pedestre, comemorado hoje. 

Reportagem desta edição destaca, oportunamente, que, apenas de janeiro a maio deste ano, as autoridades de trânsito da capital aplicaram 1,5 mil multas a condutores por infrações que, de alguma forma, tenham prejudicado as inúmeras pessoas que circulam pelas ruas sem os escudos metálicos e motorizados.

Desde parar em sinais de trânsito sobre a faixa destinada a quem atravessa as vias até atirar objetos de dentro de carros em transeuntes, passando pelas motos que invadem passarelas, por exemplo, atos aparentemente corriqueiros, mas de gritante incivilidade, geraram 300 multas por mês na cidade nos cinco primeiros meses do ano. Foram quase dez casos a cada dia.

E, com certeza, o número de notificações é extremamente aquém do que deveria ser, visto que a fiscalização está longe de ser onipresente e, como já mencionado, as atitudes de desrespeito parecem estar incorporadas à nossa cultura.


Vivemos no que poderia definir-se como uma “sociedade carrocêntrica”. E, mesmo que nos demos conta disso, pouco fazemos para mudar a realidade. 

Há, claro, desculpas para o uso excessivo de automóveis, como deficiências no transporte público ou comodismo. Mas a verdade é que falta conscientização aos motoristas. Porque, ao assumir um volante, as pessoas devem abraçar também uma enorme responsabilidade: a de se tornarem “protetoras de pedestres”. 
 

 

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