Perdemos a capacidade de nos indignar

Editorial / 11/07/2017 - 06h00

Nós, jornalistas, perdemos com o passar da profissão, a sensibilidade em relação a alguns casos, já que temos que nos distanciar do fato para buscar a isenção necessária para reportá-lo à sociedade. Aprendemos isso na marra, pois escrevemos diariamente sobre tantas tragédias, próximas e ao redor do mundo, que se não forjamos uma espécie de escudo, nossa fé na sociedade se esvazia muito rapidamente. 

Após quase três décadas de vida, podemos dizer que nunca a violência esteve tão banalizada no Brasil. Diariamente relatamos tantos assassinatos, latrocínios, estupros e pancadarias entre integrantes de gangues travestidos de torcedores que parece que estamos contando os roteiros de vários filmes. 

Mesmo com essa quantidade de ocorrências, praticamente não há uma grande mobilização pedindo providências em relação a mortes plenamente evitáveis. 

É inadmissível uma pessoa morrer porque está vestida com uma camisa de um determinado time de futebol, uma das maiores manifestações culturais do país – e já são nove em um ano no Brasil. É inaceitável uma grávida ser baleada ao andar na rua ou uma jovem de 14 anos ser morta com um tiro ao sair da escola ou ainda bandidos atirarem e matarem um policial militar que cumpria o dever de proteger a sociedade em uma pequena cidade. 

Muito antes de se procurar razões para a violência, precisamos, primeiramente, fazer cumprir as nossas leis. E poucos casos de assassinatos são investigados. Menos ainda são concluídos e vão a júri. Para completar o ciclo, os juízes aplicam quase sempre as penas mínimas aos condenados. 

O que será que é preciso para que uma pessoa que planeja durante meses uma assalto a banco, empunha armas de grosso calibre e mata duas pessoas receba pena máxima de 30 anos de prisão? Essa é a parte que cabe ao Judiciário responder. 

Não acabaremos com a violência se não nos sensibilizarmos com as vítimas dela, se não nos indignarmos com a perda de vidas de inocentes e de pessoas que executam o seu trabalho. Coloque-se hoje no lugar de mãe, pai, filhos ou cônjuges de cada uma dessas vítimas dos últimos casos de violência no país. Se você não sentir nada é sinal de que a mudança deve começar por você mesmo. 

 

 

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