População paga pelos ataques a ônibus

Editorial / 05/06/2018 - 06h00
Incendiários estão à solta em Minas Gerais, desafiando as autoridades e deixando a população assustada. Aparentemente, são ações isoladas – é o que diz a polícia – mas o fato é que, em apenas 24 horas, foram registrados nada menos do que 26 ataques a coletivos em 17 cidades.
 
Somente em Belo Horizonte, nove coletivos foram queimados em 2018, e, segundo o SetraBH – sindicato que representa as empresas – o alto custo de um veículo novo impede a reposição na velocidade necessária. Cada ônibus custa cerca de R$ 400 mil.
 
O prejuízo imediato é a diminuição do número de linhas circulando, deixando lacunas num sistema de transporte público já deficitário em muitos municípios. O Hoje em Dia mostrou em recente reportagem que cada ônibus incendiado deixa de atender 500 passageiros diariamente. 
 
Em grande parte dos ataques os criminosos obrigam todo mundo a sair dos coletivos, o que, numa leitura distraída, faz parecer uma grande vantagem para motoristas, trocadores e usuários dos ônibus incendiados. Mas só parece! Ninguém se machuca, porém todos ficam reféns da ação de bandidos. Até mesmo quem não usa transporte público. 
 
Há relatos de condutores que, traumatizados com os atos de violência, desenvolveram problemas psicológicos. 
 
A violência deixa também prejuízos materiais às empresas, obrigadas a repor o veículo perdido ou a tentar recuperar aqueles não consumidos totalmente pelas chamas. Oneradas com os danos causados pelos criminosos, incluem o preço da destruição na planilha de custos, que serve de base para novos pedidos de reajuste das passagens. 
 
Mas, afinal, o que querem esses bandidos? Que recado estão dando? 
 
Especialista em segurança pública ouvido pelo Hoje em Dia não descarta o envolvimento de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ordem para os ataques partiria de dentro dos presídios. Pode até ser, mas o objetivo desse tipo de ataque ainda é só conjectura, análise de gabinete. 
 
E, convenhamos: nas ruas a população não quer nem saber da motivação dos incendiários, quer mesmo é poder exercer o direito de ir e vir com tranquilidade. 
 
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