Tentativa e erro

Editorial / 09/05/2017 - 06h00

Uma das principais características que o presidente Michel Temer, que completa um ano no cargo na próxima sexta-feira, busca em seu governo é ser a gestão das reformas estruturais, que não foram feitas pelas duas administrações anteriores. Mas o que, na verdade, vem caracterizando essa gestão, em vários órgãos, é a falta, digamos, de convicção em algumas medidas implantadas no país. 

A mais recente decisão polêmica é a suspensão pela Caixa de novos contratos para a principal linha de crédito para compra de imóveis depois do Minha Casa Minha Vida, tomada na sexta-feira, com grande repercussão no mercado. O motivo seria a simples falta de recursos para os créditos. 

O financiamento imobiliário com repasses do FGTS é a mais tradicional forma das famílias de classe média adquirirem  imóveis a juros não tão altos e com prazos bem extensos. A decisão atinge, portanto, milhões de brasileiros. 

Não há como não fazer relação imediata com a liberação de R$ 30 bilhões das contas inativas do fundo. A direção da Caixa nega que a medida tenha influenciado a mais recente. No entanto, não é preciso ser economista para imaginar que é muito mais fácil solucionar um problema quando os recursos estão disponíveis no próprio fundo. Se o dinheiro estava ali, inativo, porque não foi usado para repor essa possível falta de recursos para novos contratos? Ou a liberação das contas inativas, que deu um “respiro” financeiro a parte da população, comprometeu seriamente a saúde do FGTS, ou tem gente que não está avaliando bem os atos da administração. 

Essas mudanças e cancelamentos de decisões estão virando a marca da gestão Temer. Foi assim com a reforma da Previdência, que começou ampla e já tem várias exceções, com pontos da reforma do Ensino Médio, com a extinção do Ministério da Cultura, e até com demissões de servidores. 

Se o presidente quer marcar positivamente seu nome na história precisa cobrar maior planejamento de sua equipe na hora de decidir o que fazer. Caso contrário, terá que retificar decisões ou recuar em algumas intenções várias outras vezes, reforçando a impressão de que, verdadeiramente, não há um projeto definido para o país hoje em Brasil e as coisas são feitas mais na base da tentativa e erro. 

 

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