Tolerância zero contra abusos

Editorial / 18/05/2017 - 06h00

Muitas das nossas reportagens se apoiam em números para mostrar uma situação ou comparar situações. Mas algumas vezes escrevemos reportagens com dados que fazem a gente ficar com vergonha da sociedade em que vivemos, de tão chocantes. É o caso de hoje. 

Revelamos nesta edição que houve, em 2016, aumento de 10% no número de casos registrados de crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes em Belo Horizonte, em relação ao ano anterior, chegando a cerca de 800. O pior é que, segundo o Ministério de Direitos Humanos, a cada denúncia feita outros nove casos deixam de ser registrados. Ou seja, o número de crianças abusadas e exploradas sexualmente só em BH pode ser de 8.000 por ano, o que dá 22 casos por dia. Um absurdo!

Discutir o que fazer com os criminosos parece pouco produtivo neste cenário, simplesmente porque a maioria dos casos não chega a ser denunciada. Além disso, boa parte dos inquéritos ou processos terminam sem punições para o autor por falta provas. 

Se quisermos mudar esse quadro precisamos partir da reformulação da rede de atendimento aos crimes contra crianças e adolescentes. As pessoas que ainda estão iniciando a vida social (muitas não tem nem noção, de tão novas) precisam se sentir protegidas pelo Estado para que procurem ajuda quando violentadas. 

Elas necessitam sentir esse apoio também na sociedade em geral, que tem que acabar de vez com a tolerância aos casos de abuso, principalmente contra adolescentes do sexo feminino. Sabemos que muitas vezes a vítima é considerada culpada por “ter provocado” uma situação. Uma justificativa estapafúrdia e covarde.

Você, caro leitor, pode até considerar que esse não é seu caso, que não há registros na família ou com pessoas mais próximas e que, portanto, não precisa fazer nada. Porém, é nosso dever alertar que os abusos vêm de onde menos se espera. Por outro lado, é também importante cuidar das crianças e adolescentes indefesos, mesmo aqueles que não são próximas a nós, observando comportamentos, avisando os pais e indicando caminhos. 

Precisamos deixar claro para esses criminosos que, ao contrário de muitos casos que foram acobertados no passado, esse tipo de violência não será tolerado pela nossa sociedade. 

 

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