Um olhar mais humano para a Antônio Carlos

Editorial / 11/04/2018 - 06h00



A ocupação irregular de terrenos por famílias sem-teto é um dos desafios enfrentados pelas administrações municipais em todo o Brasil. Alegando falta de recursos para pagar aluguel, sobretudo em épocas de crise econômica, elas armam barracas improvisadas em terrenos ao lado de corredores de trânsito, onde passam a viver em condições precárias.

A ocupação acontece gradativamente e, se não houver uma ação rápida das administrações municipais para remoção e assistência das famílias já instaladas, além de medidas para impedir a chegada de mais pessoas, u ma nova comunidade irregular surge na cidade, com problemas sociais e urbanos mais difíceis de serem solucionados no futuro.

Essa situação pode ser vista na avenida Antônio Carlos, um dos principais corredores de trânsito de Belo Horizonte, que liga o Centro à região Norte, uma das mais populosas do município. Revitalizada há mais de 10 anos, a avenida tem as margens ocupadas por famílias que lá instalaram barracas de lona e precárias construções de tijolos, em terrenos acidentados. A ocupação acontece sobretudo no trecho entre o bairro Lagoinha e o Viaduto Moçambique. 

As invasões estariam acontecendo, em parte, devido a um erro do passado. Especialistas alegam que a ampliação da via feita há 10 anos não levou em conta a questão urbanística e sim o trânsito. Pistas foram ampliadas para dar conta do aumento do fluxo de veículos, deixando às margens terrenos vazios, verdadeiros convites para os excluídos de moradia ocuparem. Não teria sido pensada a questão urbana. Qual o perfil dos moradores que vivem na região? Não haveria possibilidade de um projeto de construção de moradias populares, com obras de infraestrutura e escolas, nos terrenos ociosos às margens do corredor? Essas possibilidades, ao que tudo indica, não teriam sido cogitadas pelos responsáveis pelas obras. 

O resultado é colhido agora. Mas se no passado não houve preocupação com a questão humana, está na hora de encontrar um caminho para as famílias que aos poucos foram chegando e hoje levam uma vida com riscos de desabamentos e condições miseráveis nos terrenos ocupados. Quem transita de carro ou a pé na avenida também precisa de segurança. Terrenos vazios tornam-se outro problema sério para a segurança pública.
 

 

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