Vergonha nacional

Editorial / 14/05/2018 - 06h00


O grande número de trabalhadores em situação análoga à escravidão no Brasil mostra o quanto o país precisa reforçar as políticas públicas para combater esta senzala do século 21. Cento e trinta anos depois de ser assinada a Lei Áurea, que aboliu a escravatura, milhares de brasileiros ainda vivem em condições de exploração. Trabalham sem contrato formal e salários em locais degradantes, onde faltam alojamentos adequados, banheiros, equipamentos de segurança e até mesmo água potável. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que, neste ano, 575 pessoas foram resgatadas em estado de exploração extrema em Minas. 

E não pense que a realidade se restringe aos grotões do país, carentes de informação e onde o acesso da fiscalização é mais difícil. Na semana passada, 25 pessoas foram encontradas em regime escravidão em Curvelo, a apenas 170 quilômetros de Belo Horizonte, apontada em pesquisa recente como uma das cidades do interior mais desenvolvidas dos país. 

O cenário mostra a necessidade de prevenção, alertando os empregadores para os riscos deste comportamento exploratório, que pode levar à prisão. Novas gerações também precisam ser conscientizadas por meio de campanhas educacionais sobre a importância de se eliminar a cultura da escravidão, que desrespeita os Direitos Humanos e só traz vergonha ao país. 

Aliada à educação, a fiscalização exige reforço urgente. Hoje, o Ministério do Trabalho tem 2.350 agentes atuando em várias frentes, entre elas o combate à escravidão, em um país com mais de 200 milhões de habitantes e grande dimensão territorial. 

Leis mais severas e agilidade da Justiça para a punição dos infratores também são urgentes, além de uma população vigilante para denunciar a exploração.
 

 

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