Veto a parque restringe opções para eventos

Editorial / 08/08/2017 - 06h00

O projeto que busca proibir a realização de eventos de pequeno, médio e grande portes no Parque das Mangabeiras é mais uma polêmica envolvendo festas em Belo Horizonte. A cidade dos bares e que não tem lá muitas opções de lazer vive em queda de braço constante com quem propõe fazer qualquer empreendimento de diversão na cidade.

É engano dizer que a cidade possui muitos espaços para eventos. Não há. Existem espaços pequenos, para espetáculos bem menores, e outras opções para shows grandes, que geralmente são muito caras. Locais que recebem em torno de 4 mil ou 5 mil pessoas com boas condições de segurança são poucos, muito poucos, e adaptar espaços maiores custa muito dinheiro. 

O Parque das Mangabeiras é um local que permite a utilização de espaços de vários tamanhos, inclusive supre a lacuna para as apresentações de porte médio. O veto, portanto, seria restringir ainda mais as opções para quem propõe oferecer um divertimento aos moradores.

Esperamos que a proposta de veto a eventos no local seja baseada em estudo sobre o impacto deles no parque. Só lamentamos que não haja projetos no Legislativo semelhantes quando há a previsão de construção de um grande empreendimento imobiliário próximo a uma reserva ambiental. 

Os eventos são parte da vida da cidade. As principais metrópoles do mundo conseguem conviver com eles. Muitas tiram boa parte do faturamento do ano de festivais locais. Ajuda para serem bem sucedidos a cultura de certos povos no cuidado com aquilo que é público. Infelizmente, não somos exemplos nessa parte. 

Esses empreendimentos também têm uma importância social. Milhares de pessoas trabalham nesses eventos, seja como principal atividade ou mesmo para reforçar a renda. São atendentes, garçons, músicos, o pessoal da limpeza, do transporte, da montagem, e da segurança, entre outros. Dificultar festas é prejuízo para todas essas partes. 

Era mais razoável o poder público se esforçar para que mais festivais e afins ocorressem na cidade, com regras claras e objetivas, e com fiscalização. A cidade ficaria mais viva, e as pessoas seriam convidadas a usufruir mais dos espaços públicos, feitos com dinheiro de todos e para serem usados por todos. 

 

 

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