Pelo direito à acessibilidade

Irlan Melo / 11/06/2018 - 06h00
Imagine seu time na final do campeonato e você consegue aquele ingresso super disputado. Porém, chegando ao estádio, diversos obstáculos o impedem de entrar normalmente e, se você não contar com a ajuda de outras pessoas, não conseguirá avançar. Os demais torcedores não encontram estas limitações na estrutura do estádio, sendo assim, enquanto a maioria já assiste confortavelmente o jogo, você, que pagou o mesmo valor do ingresso, chegou com a mesma antecedência, ainda tenta chegar ao lugar que é seu por direito.
 
Continuando a situação hipotética, quando finalmente você chega ao seu lugar, não tem a mesma visibilidade que 99% das pessoas que estão assistindo ao mesmo jogo e que compraram a mesma categoria de ingresso. Depois, tenta ir ao banheiro, mas não consegue passar na porta. Por fim, para ir embora, os mesmos obstáculos da entrada o impedem de voltar para casa.Por mais absurda que pareça essa situação, é exatamente isso que acontece quando as condições de acessibilidade não são observadas na construção de um estádio, um teatro, um cinema, um clube ou qualquer outro equipamento esportivo, de cultura e lazer. É o que convive, em alguma escala, cerca de 27% da população de BH que tem algum tipo de deficiência.
 
<TB>O lazer é uma necessidade básica do ser humano, garantida pela constituição brasileira nos artigos 6º, 7º, 217º e 227º e, justamente por isso, é dever do Estado assegurar que este direito constitucional seja garantido de forma universal.<TB>Sendo assim, por sugestão de participantes do nosso primeiro seminário para a construção da Lei Municipal de Inclusão, realizamos uma visita técnica ao Estádio Mineirão. Foi a primeira de uma série de visitas das quais vamos fiscalizar e avaliar as condições de acessibilidade dos equipamentos de lazer, esporte e cultura de BH.
 
Durante a visita, a Minas Arena nos informou que o estádio possui seis elevadores, 622 assentos dedicados às PCDs e acompanhantes, 38 banheiros acessíveis, além de 16 cadeiras de rodas disponíveis. Apesar disso, constatamos a necessidade de avanços na acessibilidade do estádio. Solicitamos, por exemplo, a instalação de tomadas próximas dos espaços destinados aos cadeirantes, para atender quem possui a cadeira movida a eletricidade. Rotas e mapas acessíveis para pessoas com deficiência visual. Semáforos com dispositivo de indicação sonora, entre outras indicações. 
 
Não se trata de vantagens, estamos lutando por equipamentos que ofereçam uma estrutura que proporcione autonomia plena, para 100% das pessoas. O meu objetivo é buscar uma BH cada vez mais inclusiva. Nosso próximo seminário será na segunda quinzena de junho, na Câmara Municipal de BH, com o tema “Acessibilidade nas Edificações”. Mais informações no site irlanmelo.com.br. Pelo direito à acessibilidade, pela justiça. #AcordaBH
 
*Escrito em parceria com o Cientista Social Filipe Batista
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