Ajuste Fiscal e Política Monetária

Jorge Alexandre / 24/08/2017 - 06h00

Não foi surpresa para qualquer observador atento e bem informado a revisão do déficit público anunciado pelo governo federal. Afinal, trata-se de um governo extremamente perdulário! Como não conta com qualquer apoio popular, o presidente Temer tem buscado atender às demandas da elite econômica (com exonerações e perdões de dívida), da elite do estamento burocrático e profissional do estado (em particular os membros do Ministério público e do Judiciário) – com os elevados aumentos salariais a categorias que já contam com remunerações absurdamente elevadas – e do estamento político (ao liberar emendas parlamentares), ao passo que faz profundos cortes nos orçamentos dos programas sociais, da saúde e da educação, atingindo a população pobre.

A mídia tradicional tende a fazer as pessoas acreditarem que governos de esquerda têm menor disciplina fiscal do que governos conservadores. Isso não é verdade! Por exemplo, se observamos a dívida líquida total do governo federal como percentual do PIB, vemos que ela dobrou durante os oito anos de FHC (de 19% para 38%), enquanto que durante os 13 anos petistas ela sofreu uma redução de 42% (de 38% para 22%). Além disso, os governos petistas conseguiram fazer o país ficar em uma situação positiva nas suas contas internacionais – resolvendo assim o problema crônico de endividamento externo – ao fazerem as reservas internacionais crescerem mais de oito vezes (indo de US$ 38 bilhões para US$ 356 bilhões) – ao passo que, durante os oito anos de governo FHC, as reservas caíram 27% (de US$ 52 bilhões para US$ 38 bilhões). O mesmo se pode observar se analisarmos a situação da dívida pública dos estados brasileiros nas últimas duas décadas.

Neste momento, ao invés de buscar um ajuste fiscal cortando despesas de serviços públicos essenciais, o governo deveria fazer o mais óbvio. No atual cenário brasileiro, a solução mais racional e viável para o problema fiscal – e que ajudaria a recuperar rapidamente a economia, elevando a receita do estado, o que complementaria o ajuste fiscal – seria uma redução acelerada da taxa de juros! Essa mudança na política monetária seria totalmente viável em função do cenário atual, com: a) uma recessão profunda; b) uma taxa de desemprego altíssima; c) uma elevada taxa de ociosidade da economia; d) uma taxa de inflação que se encaminha para ficar abaixo do limite inferior da meta e; e) a existência, ainda, das elevadas reservas internacionais acumuladas durante os governos petistas. Oportunidade única de levar o Brasil para o padrão internacional. Essa redução não ocorre, pois reduziria os ganhos dos rentistas, membros dos estratos sociais de maior nível socioeconômico e que dão sustentação política ao cambaleante governo ilegítimo.

 

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