Desenvolvimento Social

Jorge Alexandre / 20/04/2017 - 06h00

A queda da desigualdade ocorrida recentemente no Brasil (de 2003 a 2014) é controversa, pois pesquisadores de Brasília têm demonstrado que ela pode ter sido superestimada. Todavia, o mesmo não se deve dizer do desenvolvimento social do período. De acordo com dados do Banco Mundial, comparando-se indicadores sociais de 2014 com os de 2002, vemos que a mortalidade infantil no Brasil caiu mais de 40%, o analfabetismo caiu mais de 20%, a expectativa de vida aumentou cerca de 6% e a pobreza caiu para a metade do que era.

Esses indicadores são bem conhecidos, em especial por organismos internacionais. Um outro lado desse vigoroso desenvolvimento social vivido pelo Brasil no período, contudo, é bem menos divulgado. Trata-se da sua interação positiva com o desenvolvimento econômico (um dos ditadores do período autoritário estabelecido em 1964 disse: “a economia vai bem, mas o povo vai mal”. Felizmente, não foi isso que ocorreu na década passada). Ao passo que o crescimento do PIB brasileiro se deu em um ritmo inferior à média mundial nos oito anos entre 1995 e 2002, ocorreu o contrário nos oito anos seguintes (de 2003 a 2010). 

Em parte isso foi consequência do chamado “boom das commodities”, mas em parte se deveu ao próprio processo de desenvolvimento social, bem como foi resultado de políticas econômicas que interagiram com as políticas sociais. Em governos de esquerda no Brasil, há boas políticas de incentivo ao microempreendedor, entre elas políticas de microcrédito e políticas de compra social. Com a guinada conservadora no nível federal, essas políticas têm avançado em estados como Maranhão e Minas Gerais. Em Minas, deve-se louvar iniciativas como o Circuito Mineiro de Compras Sociais e o apoio aos Bancos Comunitários.
 

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