Fracasso do Liberalismo no Brasil

Jorge Alexandre / 16/11/2017 - 06h00

O liberalismo fracassou politicamente e economicamente em nível mundial. Esta semana, foi publicado no jornal britânico “The Guardian” um excelente artigo de Dani Rodrik, professor de Economia da Universidade Harvard, intitulado “A Falha Fatal do Neoliberalismo: Ele se Baseia em uma Ciência Econômica Ruim” (em tradução livre). O artigo do Prof. Rodrik se aplica bem à América Latina em geral e ao Brasil em particular.

É muito comum a afirmação de que o crescimento econômico mais robusto alcançado pelo Brasil durante os governos Lula foi apenas uma consequência do maior dinamismo da economia mundial e do chamado “boom das commodities”. Ocorre que, enquanto a economia brasileira cresceu abaixo da média mundial durante a década de 1990 e até o final do segundo governo FHC, durante os oito anos de governo de Lula o crescimento econômico brasileiro foi superior à média mundial. 

Entre 2002 e 2012, o PIB brasileiro cresceu a uma taxa anual média de 4,2%, ao passo que o PIB mexicano (o mais neoliberal dos grandes países latino-americanos) cresceu a uma taxa média de apenas 2,8% ao ano. Quando se olha a queda da pobreza, o contraste é ainda mais marcante. No mesmo período, o Brasil reduziu a proporção de pobres em 48,8%, ao passo que o México apenas em 10,4%.

Alice Amsden, falecida professora de Economia do MIT/EUA, costumava ressaltar que um dos maiores erros dos liberais era acreditar que se o papel do estado se resumisse a uma política macroeconômica virtuosa, o mercado cuidaria do resto. A história brasileira mostra que, toda vez que alcançamos expressivo desenvolvimento socioeconômico, o estado foi protagonista. O “mercado” (tecnocratas do setor financeiro) costuma demandar políticas liberais, mas o que vemos é que os investimentos produtivos privados costumam acompanhar o ritmo dos investimentos públicos. Ou seja, quando se trata de investimentos produtivos, os agentes econômicos não parecem se animar com os períodos nos quais a hegemonia na política econômica é liberal, pois esses momentos (como ocorreu na década de 1990 e está acontecendo hoje) são marcados por baixíssimos níveis de investimento privado.


Entre os maiores desastres nos cortes de investimento que os políticos liberais costumam fazer, quando têm a hegemonia política no Brasil, encontram-se os da área de Ciência e Tecnologia. Aqui, historicamente, inovações tecnológicas ocorrem quando há o envolvimento de instituições públicas. Temos casos de sucesso e de fracasso na articulação entre essas instituições e o setor produtivo. 
Mas, o fato é que em nenhum momento alcançamos inovação tecnológica no Brasil sem significativos investimentos públicos. Mais uma vez, o liberalismo nos condena ao atraso!

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