Que Independência?

Jorge Alexandre / 07/09/2017 - 06h00

Fazia tempo que não tínhamos uma comemoração da independência tão frustrante! O Brasil jamais teve um tal número de autoridades do estado tão submissas a interesses das grandes potências econômicas (em particular, os EUA). 

De um lado, membros do Judiciário e do Ministério Público que celebraram uma série de acordos de colaboração – de legalidade mais do que duvidosa – com instituições estatais dos EUA e de países europeus, que terminaram por levar ao enfraquecimento e, em alguns casos, à quase destruição de alguns dos mais importantes setores da economia nacional (executivos e donos de empresas que cometeram crimes devem ser processados, as empresas, porém, devem ser preservadas, pois pessoas jurídicas não cometem crimes). 

De outro, um governo ilegítimo que pratica o mais descarado entreguismo (a revelação recente de que mineradoras canadenses tinham sido informadas, com antecedência, da extinção de uma enorme reserva na Amazônia, com sua consequente abertura para atividades mineradoras, foi só mais um dos muitos eventos a revelar o entreguismo atual).

Durante o governo do ex-presidente Lula, o Brasil passou por um período de afirmação de sua independência e de fortalecimento de sua influência geopolítica. Ao passo que o ex-presidente FHC disse em uma entrevista que a celebração nacional da independência é uma palhaçada (para intelectuais elitistas, demonstrações de patriotismo são sempre muito bregas), o ex-presidente Lula sempre valorizou os símbolos nacionais e a autoestima do povo brasileiro. 

Os críticos tentam argumentar que o sucesso econômico do governo Lula se deveu apenas a um lance de sorte, à elevação dos preços internacionais das commodities. Isso não é verdade! Ele se deveu, em muito, a decisões corretas do ex-presidente Lula, que mostrou ser um grande estadista. Entre essas decisões estava a de buscar diversificar as relações comerciais do Brasil para depender menos das exportações para os EUA e UE (isso foi de grande importância no final da década passada, momento no qual países como o México – que dependem sobremaneira de exportações para os EUA – foram muito mais afetados pela crise de 2008 do que o Brasil) e a de tornar as maiores empresas brasileiras atores econômicos de influência internacional.

O sucesso da caravana recentemente encerrada pelo ex-presidente Lula no Nordeste (e praticamente ignorada pela mídia tradicional) traz um vento de esperança para aqueles que acreditam na grandeza do Brasil. O entusiasmo do povo simples do interior nordestino com a passagem de Lula – levando-o a fazer inúmeras interrupções para proferir discursos improvisados no meio da estrada – talvez seja apenas o primeiro sinal de que os brasileiros em geral querem outra vez pensar grande.

 

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