Sepulcros Caiados

Jorge Alexandre / 07/12/2017 - 06h00

Nos meus 11 anos de educação beneditina com as Irmãs Missionárias de Tutzin, na minha Olinda natal, aprendi a farejar falsos profetas. Desconfio de indivíduos que se sentem poços de virtude, moralmente superiores aos demais.

Para quem é como eu, os últimos dias têm sido alvissareiros. No topo dos acontecimentos está o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran à CPI da JBS, no último dia 30. O advogado trabalhou para a Odebrecht e caminhava para fazer um acordo de delação premiada com os procuradores da operação “Lava Jato”, em Curitiba. Desistiu e foi para a Espanha, onde firmou acordo de colaboração com a Justiça daquele país.

No depoimento, Duran fez revelações espantosas, que cobrem de suspeita os paladinos de Curitiba. Fossem eles tratados como tratam outrem, já estariam recolhidos a alguma unidade prisional, sofrendo todo tipo de humilhações. Seguindo-se o devido processo legal, é necessário que o acusador mostre provas. Tudo indica que uma já foi encontrada, na forma de GRUs da Receita Federal que indicam pagamentos para advogados com ligações perigosas com a República de Curitiba.

Esperemos os novos capítulos. Uma coisa é certa. Além de aceitarem receber mensalmente holerites com valores absurdos e ilegais, que derivam da corrupção institucionalizada do sistema brasileiro de Justiça, os paladinos de Curitiba agora se tornam suspeitos de terem aceitado propina. Que eram sepulcros caiados, eu não tinha a menor dúvida, mas as sepulturas parecem mais fedidas do que eu pensava.

Em seguida, vem a decisão do Ministério da Justiça de abrir investigação contra a Delegada da Polícia Federal (oriunda da força-tarefa de Curitiba) responsável pela prisão ilegal e abusiva do Reitor da UFSC, Prof. Luiz Carlos Cancellier. Mais uma oportunidade que teremos de ver a justiça sendo feita.

Finalmente, vem a notícia de que o Ministério Público Militar denunciou um esquema de corrupção do Exército Brasileiro que teria desviado cerca de R$ 150 milhões. Estariam envolvidos na falcatrua seis militares de alta patente (dois majores e quatro coronéis). Esta última noticia só me alegra por mostrar que não há nada de moralmente superior nas organizações militares. Oficiais de alta patente não são poços de virtudes. Talvez isso ajude muitos brasileiros a ver que o militarismo não é imune à corrupção. Muito pelo contrário, como demonstram todos os cabeludos escândalos de corrupção ocorridos durante a ditadura militar brasileira.

P.S.: No momento em que escrevo este artigo, a nossa UFMG está sendo vítima do arbítrio dos sepulcros caiados. Despotismo, com espetáculos midiáticos financiados a peso de ouro pelos contribuintes! Um isomorfismo normativo diabólico está destruindo o caráter dos operadores do sistema de Justiça no Brasil!

 

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