Vitória de Pirro

Jorge Alexandre / 26/10/2017 - 06h00

Quis o destino que, no mesmo dia da divulgação de um relatório do Banco Mundial intitulado “Os Novos Pobres Brasileiros” – no qual está dito que, desde a ascensão do governo golpista de Michel Temer quase quatro milhões de brasileiros retornaram à situação de extrema pobreza – tivesse início mais uma caravana do ex-presidente Lula, desta vez pelo Estado de Minas Gerais.

A última caravana de Lula, através dos nove estados nordestinos, foi um fenômeno de mobilização popular, arregimentando justamente os milhões de brasileiros que voltaram a ser postos à margem do amparo do estado e suas políticas públicas. O Banco Mundial já tinha ressaltado o terrível equívoco que representava a atual política de redução dos programas de assistência social. Em um momento de grave crise econômica, esses programas teriam que ser ampliados, mas foram, na verdade, reduzidos.

Obviamente, não há dinheiro para tudo e as prioridades do governo golpista são muito custosas. É preciso recursos para a compra de apoios no Congresso Nacional, bem como através da transferência de renda para o estamento burocrático e profissional (principalmente, mas não apenas, para os profissionais do sistema de Justiça) e para a plutocracia.

A vitória das elites conservadoras – mais uma vez representadas pelo estamento burocrático e profissional e pela plutocracia – com o golpe de 2016 foi incontestável. Sobram indícios da marcha conservadora, incluído o inacreditável decreto presidencial (temporariamente suspenso pelo STF) de aceitação do trabalho escravo. Todavia, o gigantesco custo político a transformou em uma Vitória de Pirro.

Toda a movimentação das elites conservadoras nos últimos anos tem sido voltada à destruição do PT e de Lula. Contudo, enquanto Lula é hoje liderança mais popular do país (e candidato imbatível à presidência) e o PT se encontra em plena recuperação de sua popularidade, o PSDB e algumas de seus principais nomes estão em pleno processo de aniquilamento político.

Um dos grandes equívocos das elites conservadoras foi pensar que a maioria dos eleitores iria acreditar na tese de que Lula e o PT inventaram a corrupção no Brasil. Editorial desta semana do jornal O Estado de São Paulo (talvez o mais explícito porta-voz das elites conservadoras brasileiras), intitulado “O Partido da Lava Jato”, explicitou essa posição ao defender claramente que quando investiga o PT essa operação é meritória, mas em qualquer outro momento se comporta como partido político.

Esse editorial do Estadão revela o racha no núcleo do golpe de 2016. Além dessa fragilidade, a maior parte dos eleitores não engoliu a narrativa dos golpistas e agora a probabilidade de um candidato da centro-direita vencer a eleição presidencial de 2018 se torna cada vez menor.

 

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