É mentira

José Antônio Bicalho / 06/03/2017 - 15h36

Não se deixe enganar. Quando o ministro da Fazenda Henrique Meirelles diz que “o Brasil sai da recessão no primeiro trimestre”, é mentira. Destaco o trecho de sua fala em evento recente de um banco estrangeiro, em São Paulo.

“Nossa expectativa é que, sim, (a economia) saia da recessão, significando que crescerá a uma taxa moderada no primeiro trimestre, mas já entra em uma trajetória de crescimento durante o ano. Consolidando isso, nós teremos um crescimento”.

Meirelles sabe que o ritmo da economia é ditado por eventos concretos e também por expectativas. Então, o que ele tenta é injetar um pouco de ânimo no empresariado para ver se faz a roda da produção voltar a girar.

Não seria pecado tentar espantar o pessimismo e buscar adesão a um projeto de reconstrução econômica, não fosse o fato desse projeto inexistir. Se o governo não se move, o otimismo de Meirelles é vazio, dissimulado e risível.

Todas as experiências de sucesso na superação da crise financeira mundial de 2008 seguiram o mesmo roteiro, que começa com os governos adotando políticas radicais para dar liquidez às suas respectivas economias. Daí o crédito farto e barato incentiva o consumo, os empresários entusiasmados com a recuperação da demanda voltam a contratar e a investir, e toda a economia passa a se mover virtuosamente. O círculo se fecha com o crescimento da arrecadação, que corrige possíveis desequilíbrios fiscais gerados pelo empurrão inicial dos governos. Simples e funciona.

Não seria pecado buscar adesão a um projeto de reconstrução, não fosse o fato desse projeto inexistir

A manutenção desse movimento virtuoso se dá pela responsabilidade fiscal dos governos (não estou falando em obsessão por superávit, mas em qualidade nos gastos públicos), pelos investimentos do governo em infraestrutura e pela coordenação de esforços das estatais a um programa oficial de crescimento sustentado de longo prazo.

E o Brasil ainda possui uma alavanca a mais que as dos países desenvolvidos: um potencial mercado consumidor interno gigantesco, que pode turbinar o crescimento a patamares chineses. Para tal, basta distribuir a renda, que no Brasil é a mais concentrada do mundo.

Mas Meirelles faz tudo ao contrário. Sua obsessão pelo ajuste fiscal faz com que o governo olhe apenas para suas contas e esqueça a economia real. A política econômica é absolutamente contracionista. Os juros impedem o crédito, seja para consumo ou para investimento. A economia encolhe, o desemprego cresce, a arrecadação cai e o rombo fiscal só faz aumentar. Também é simples e também funciona se o objetivo for quebrar o país.

Usiminas
Na última sexta, a Usiminas publicou ‘fato relevante[/TXT_COL]’ no qual informa que foi aprovada redução de capital da controlada Mineração Usiminas em R$ 1 bilhão. Com a operação, entrarão no caixa da Usiminas R$ 700 milhões.

A operação era um compromisso da Usiminas com bancos credores no acordo de renegociação e alongamento da dívida, fechado no ano passado. Mas a Usiminas vinha enfrentando resistência de seu sócio minoritário na Musa, a japonesa Sumitomo Corporation, para aprovação da redução de capital. Segundo fontes ligadas à empresa, o acordo foi fechado no feriado de Carnaval, no Japão, pelo presidente da Usiminas, Romel Erwin de Souza, e a direção da Sumitomo.

O dinheiro ao qual a Usiminas tem direito será usado como capital de giro durante o atual processo de reestruturação financeira. A Usiminas atravessa, hoje, a mais grave a crise financeira de sua história, mas os resultados trimestrais estão melhorando progressivamente, apesar dos balanços ainda apresentarem prejuízo. No quarto trimestre de 2016, este foi de R$ 195 milhões.

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