Parabéns, querida Belo Horizonte

José Antônio Bicalho / 16/03/2017 - 05h50

Na tarde de ontem, discutíamos aqui na Redação do Hoje em Dia se a manifestação de BH contra as reformas e contra o governo Temer teria sido a maior do país. Independentemente se sim ou não, foi tudo lindo e superlativo. Muita gente, mas muita mesmo. Um amigo me disse que, chegando em passeata na Praça da Assembleia, ligou para a namorada que lhe disse que ainda estava na Praça Sete, também no movimento. Uma serpente humana gigantesca. Povo alegre e aguerrido, contra as reformas e contra o golpe.

FORÇA DAS RUAS
A lista de Janot abala e imobiliza o governo, retardando o encaminhamento das reformas. Mas não esperem boa coisa do Congresso. Ali, o que se discute é como salvar o pescoço da degola coletiva. Uma anistia ao caixa dois, como quer o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é moeda de troca com força suficiente para fazer passar a reforma da Previdência e mais a Trabalhista. Então, meus caros, se não for mantida a pressão das ruas, adeus aposentadoria e direitos trabalhistas.

Foi tudo lindo e superlativo. Uma serpente humana gigantesca contra as reformas e contra o golpe

TEMER, O IMPOPULAR
A Agência Estado (de notícias) informava ontem que o presidente Michel Temer avalia a possibilidade de gravar um pronunciamento para explicar a reforma da Previdência. Ele estaria sendo pressionado por deputados da base aliada, que pedem ao governo para arcar com o ônus da reforma. Querem saber quando Temer irá à televisão, em rede nacional, defender a mais impopular de todas as reformas? Nunca! Com índice de reprovação de 62%, segundo a última pesquisa CNT, de fevereiro, a estratégia lógica é entrar na toca e hibernar.

CRONOGRAMA
O tsunami em Brasília provocado pela lista de Janot deve causar embaraços à tramitação da reforma da Previdência, mas é importante ficar de olho no cronograma. O presidente da Casa e candidato a réu Rodrigo Maia ainda trabalha com a perspectiva de votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no plenário a partir da segunda quinzena de abril (dentro de 30 a 45 dias). Mas a velocidade que se imprimirá ao processo dependerá das costuras políticas. Nos bastidores, os governistas admitem que atualmente não há os 308 votos necessários para aprovar a PEC. Assim que tiver segurança da maioria, Maia colocará a matéria em pauta.

MEIRELLES
Esquematicamente, a crise pode ser explicada pelos cortes no orçamento do governo para corrigir o déficit fiscal, que fizeram a economia desacelerar, reduziram a arrecadação e aumentaram o déficit, obrigando o governo a mais cortes no orçamento. Ou seja, uma lambança total. O mal na raiz da crise, portanto, é o ajuste fiscal. Pois ontem, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que os novos cortes no orçamento que deverão ser anunciados na próxima semana poderão ser reduzidos ao longo do ano com o aumento de impostos. Não acreditem nele. O que ele quer de fato é preparar o espírito dos brasileiros para o aumento de impostos que já está planejado, e isso não terá nenhuma relação com redução de cortes no orçamento. Vamos ter mais cortes de orçamento, mais déficit fiscal, mais impostos e mais crise. Prometo não me repetir mais, mas se Meirelles e Temer continuarem onde estão, o Brasil quebra.

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