Em nome do pai

José Roberto Lima / 12/08/2017 - 06h00

Solenidade de formatura é sempre um momento de muita emoção. Um filme passa na cabeça do formando, com cenas de toda a luta desde os primeiros anos escolares até o recebimento solene do diploma. Um filme ainda mais longo passa na cabeça dos pais. Afinal, quando nossos filhos se formam, somos nós que realizamos um grande sonho. E os filhos, embora pensem que estão realizando alguma coisa, estão, na verdade, começando a sonhar.

Foi assim, no contexto de um juramento entre um pai e um filho, que participei de uma formatura emocionante. O filho era meu aluno e se formou aos 61 anos de idade. O pai dele já havia falecido.

Ao final de solenidade, o aluno me disse emocionado que estava cumprindo uma promessa. Dez anos antes, quando o pai estava no leito de morte, chamou os filhos e disse: “Eu comecei o curso de Direito com 60 anos. Eu me formei com 65 anos e exerci a advocacia durante 20 anos, o que me parece ser uma eternidade. Todos vocês podem iniciar um curso superior com menos idade com que eu iniciei.”

E fez todos os filhos jurarem, na presença dos netos, que voltariam a estudar até se formarem numa faculdade.

De todos os filhos, faltava apenas o meu aluno para cumprir o prometido. E ele levava tão a sério os estudos que não tardou para ser aprovado no exame da OAB. Hoje ele é um dos mais conceituados advogados de Belo Horizonte.

Leitor ou leitora, neste Dia dos pais, mire-se no exemplo desse aluno. E caso o seu ainda esteja vivo, pense no juramento que ele te pediria se estivesse no leito de morte. Mas, se ele já estiver noutro plano espiritual, pense no juramento que ele te pediu em vida (ou pediria se tivesse oportunidade, ou - quem sabe?- pede constantemente por meio das lembranças que o eternizam).

A maior alegria de nossos pais é ver-nos triunfar. E o melhor caminho para isso é por meio dos estudos. Então, leitor ou leitora, leve a sério os estudos. Faça isso “em nome do pai”.

 

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