Metade dos eleitores quer saída do PSDB do governo Temer

José Roberto Lima / 02/09/2017 - 06h00

Pesquisa feita pelo Instituto Paraná revela que metade dos eleitores brasileiros deseja ver o PSDB fora do governo de Michel Temer (PSDB). Para 55,6% o partido deve desembarcar do governo. Outros 32,2% acham que ele deveria continuar. O restante não soube ou preferiu não opinar.

Os dados mostram que os tucanos podem perder popularidade se ficarem atrelados ao governo Temer nas vésperas das eleições presidenciais e pelo comando dos estados. Mas, em Brasília, lideranças do PSDB que defendem a manutenção na base acreditam que a aprovação das reformas (necessárias, mas impopulares) vai garantir justamente o aval dos eleitores nas urnas. 

O PSDB deve retomar o assunto, que ficou em águas mornas, quando o procurador-geral Rodrigo Janot apresentar a segunda denúncia contra Temer, nos próximos dias. 

O outro lado da história

Doutor em direito penal, o criminalista mineiro Leonardo Isaac Yarochewsky, lança hoje o livro “República de Curitiba: Por que Lula?”. O advogado atuou em casos de repercussão nacional, como o mensalão, tendo participado de horas a fio dos interrogatórios de todos os envolvidos.

Yarochewsky faz parte do grupo de juristas reconhecidos no país que posicionaram-se contra o que classificam de “abusos na operação Lava Jato”. Dentre eles está o também mineiro Antônio de Castro, o Kakay.

Conversei com Yarochewsky, que relata os motivos pelos quais discorda de vários dos procedimentos, especialmente aqueles tomados pelo juiz Sérgio Moro, da primeira instância de Curitiba. 

Segundo ele, o que ocorre é que os investigadores e Sérgio Moro desconsideram e ferem os direitos fundamentais dos envolvidos. “Por exemplo, o abuso nas conduções coercitivas, que seriam viáveis em casos excepcionalíssimos”. O criminalista cita o caso do ex-presidente Lula, levado a depor à força. “Ele não era nem acusado formalmente. E o acusado tem o direito de permanecer calado”. “O país está vivendo um momento muito delicado. A prisão deveria ser uma exceção. Na Lava Jato é regra. Prende o indivíduo para ele poder delatar. São violações do direito de defesa”, completa.

Para Yarochewsky, o juiz Sérgio Moro não dispõe de imparcialidade para julgar Lula, como ficou claro no interrogatório do ex-presidente. “Acompanhei o interrogatório de todos do mensalão. Nenhum deles se deu daquela maneira: o Lula de um lado e o Moro de outro em uma espécie de ringue, como se o juiz fosse o acusador, o juiz tem que ser imparcial”, afirmou.
O criminalista diz não ter partido político. Decidiu escrever o livro, como outros de sua autoria, para mostrar, do ponto de vista do direito, as ilegalidades que considera na condução da “Lava Jato”. “Seja Fernando Pimentel ou Eduardo Azeredo, Lula ou Temer, o direito às garantias fundamentais deve ser respeitado. Temos que respeitar os direitos fundamentais. O principio de presunção de inocência está sendo esquecido”, concluiu.

Como, para um julgamento apropriado sobre qualquer tema, é necessário ouvir todos os lados. Aconselho a leitura do livro, que será lançado hoje na Quixote Livraria e Café, às 11h.

 

 

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