Pelé, o adversário

José Roberto Lima / 24/06/2017 - 06h00

Quem estuda para um concurso encontra vários candidatos disputando a mesma vaga. Na relação com eles, convém compartilhar o aprendizado ou seria melhor guardá-los apenas para si? 

É um equívoco pensar em prejuízo ao trocar conhecimentos. Quando alguém ensina, exercita o que sabe e aprende muito mais. Veja o que disse Cora Coralina sobre esse tema: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. 

Não é por acaso que nós, professores, propomos estudos em grupo. Nessas ocasiões, quem compartilha o que sabe é quem mais aprende. Então, compartilhe conhecimento com seus colegas.

Quanto à condição de adversários, eles estão no final de uma imensa fila. Antes deles estão os que, mesmo sem ser adversários, convertem-se em perigosos inimigos: os que tentam te desanimar e os invejosos.

E, seja nos concursos ou nos esportes, devemos separar os inimigos dos simples adversários. Na semana passada, falei sobre o exercício mental do Pelé. Ao final de cada treino físico ele elaborava mentalmente as possíveis jogadas.

Além desse diferencial, ele tinha outro: a capacidade de separar os inimigos dos adversários. Na Copa de 1970, ele deu um drible desconcertante no goleiro Mazurkievski, do Uruguai. Anos depois, disse ter percebido que o adversário deixara de lado a bola e vinha na sua direção para agredir. E decidiu, naquela fração de segundo, desvencilhar-se do golpe, deixando a bola passar (e o goleiro, até hoje, tenta entender por onde a bola passou).

Apesar da jogada quase humilhante, apesar de o goleiro ter tentado parar o lance com uma agressão, ambos souberam separar o adversário do inimigo. E tornaram-se bons amigos.

Então, leitor, siga-os neste exemplo. Entenda que seus colegas são apenas adversários. E você tem muito a ganhar ao compartilhar conhecimentos com eles.

 

 

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