Os riscos de o morador trabalhar para o condomínio

Kênio Pereira / 20/03/2017 - 12h01

Diversos condomínios contratam seus moradores para prestarem serviços quando estes são profissionais autônomos, como engenheiro, contador, decorador ou advogado. O que parece ser, a princípio, uma demonstração de gentileza por preferir os serviços do vizinho, pode desencadear complicações futuramente.

 Afinal, as atitudes desses profissionais em defesa do condomínio podem contrariar diretamente um ou mais condôminos que, não sabendo separar o profissional da pessoa, acabam tendo raiva do vizinho. 

Citamos, como exemplo, o advogado. Imagine que um vizinho advogado, contratado pelo condomínio, se veja obrigado a mover contra um morador uma ação de cobrança de quotas condominiais e que esta ação termine com a penhora do apartamento do devedor. Há grandes chances de o devedor passar a odiar o advogado por sua atuação profissional e, como consequência, odiar o vizinho e seus familiares.

Ainda, se há um processo no qual o condomínio seja condenado ao pagamento de qualquer valor, sempre haverá a desconfiança da capacidade do advogado, que será apontado por algum morador como incompetente ou desinteressado. Não será levado em conta que o condomínio esteja errado, pois a culpa será do vizinho que recebeu algum dinheiro pelo seu trabalho.

Não há qualquer disposição legal que impeça a atuação desses profissionais em condomínios onde residem. Porém, o bom senso e a precaução demonstram que declinar o convite para prestar serviço onde mora evita diversos problemas e constrangimentos. Se algo der errado, independentemente da atuação do profissional, poderá ser taxado de incompetente por seu vizinho; se comprar um carro novo, poderá ser acusado de “enriquecer” às custas do condomínio, mesmo que tenha cobrado valores módicos pelos serviços prestados. E ainda mais, não haverá horário comercial, já que a moradia do profissional será confundida com seu escritório e os moradores se sentirão no direito de acioná-lo em qualquer horário.

O descanso é fundamental para o bem estar do ser humano. A liberdade que o profissional deve dispor aos finais de semana e fora de horários convencionais de atendimento é impagável, além de preservar o morador e seus familiares. 

O profissional que opta por não atuar onde reside demonstra sabedoria e ponderação. Diferenciar a figura profissional do morador é um exercício que deve partir dele próprio, a fim de que sua qualidade de vida e descanso não sejam prejudicados. Há casos em que tais profissionais se arrependeram de aceitar um serviço do condomínio, pois se viram obrigados a mudar de residência para que pudessem novamente ter paz em seu lar. 

 

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