Mais sistemas, menos fogos!

Luciano Prado / 07/08/2017 - 06h00

Começa o Campeonato Mundial de Atletismo, e temos como aspectos relevantes a despedida da lenda viva Usain Bolt e as estratégias para o combate aos sistemas organizados de dopagem, como a discussão acerca da suspensão dos atletas russos. Entretanto, chama atenção a falta de expectativa em relação a atletas brasileiros, o que causa estranheza, afinal tivemos o apogeu de uma preparação olímpica e um ciclo de formação de atletas há exatamente um ano, nos Jogos Olímpicos do Rio. Onde estão os atletas?

A natação brasileira acaba de fazer bonito no Campeonato Mundial de Natação, em Budapeste. Muito bonito. Um número expressivo de medalhas foi abrilhantado pelo número de atletas brasileiros no pódio. Esse é um dado importante. Nações consideradas potências internacionais obtiveram nesse campeonato mundial mais medalhas que o Brasil, mas com menos atletas compondo o pódio. Ou seja, um número maior de brasileiros participou da elite mundial.

Seja pensando na natação brasileira, que não sabemos se conseguirá manter o bom nível alcançado, seja encucados com o paradeiro da elite do atletismo nacional, somos levados à pergunta: afinal, por que motivos um país de mais de 200 milhões de habitantes, com uma população jovem, variadíssima étnica e culturalmente, apresenta uma participação no meio esportivo internacional de forma pirotécnica? Ou seja, brilhos lindíssimos, mas esporádicos e curtos.

Coloquemos ainda nessa conta que a produção científica das universidades brasileiras, no que diz respeito às ciências do esporte, figura entre as melhores do mundo (tomemos como exemplo a colocação da UFMG no 45º lugar no ranking internacional de universidades).

Ou seja, a excelência existe. Na ciência, nos talentos, e também nas iniciativas, nas ideias, nas políticas públicas. Mas o Brasil precisa ainda aprender a dar o último e difícil passo rumo à consolidação de seu esporte em nível internacional: as ideias, as iniciativas, as políticas precisam estar concatenadas e inseridas num sistema geral, abrangente e simples. Os esforços e os talentos precisam se somar de forma planejada e organizada, o conhecimento produzido deve ser revertido em tecnologia e aplicação prática, e precisa ser transmitido, atingindo todas as esferas e níveis do esporte nacional. Isso envolve treinadores da base à ponta, a administração esportiva pública e privada, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas, psicólogos, engenheiros e comunicadores, e isso das capitais aos mais longínquos rincões de nosso enorme território nacional.

Caso contrário, sem sistema, sem organização, sem continuidade e uma real soma de esforços e trabalho, continuaremos gastando energia à toa, produzindo lindos e curtíssimos espetáculos, que pouco benefício trazem a nossos atletas, a nossa população e à imagem do Brasil.

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