Mais um pouco de história

Luciano Prado / 08/01/2018 - 06h51

Em minha penúltima coluna comentei de nosso estilo de vida sedentário nos tempos modernos e de como isso não combina nem um pouco com nosso metabolismo, acostumado ao movimento cotidiano e aos alimentos pouco processados, nossa realidade durante milênios. Hoje, com a mesma biologia corporal moldada por esse passado, descobrimos que a falta de movimento em nossas vidas pode ser mortal, e começamos a inventar alternativas para nos contrapor a essa tendência.

A ginástica começou, historicamente, por uma necessidade de se adestrar a população para a guerra. Entretanto, logo se percebeu que ela trazia benefícios para a saúde, e passou a ser praticada também nesse sentido. Isso é coisa relativamente recente, pouco mais de 100 anos. Se, por um lado, a atividade física passa, com o tempo, a ser praticada no contexto escolar, o esporte, na era olímpica moderna, torna-se instrumento de demonstração de força e poder entre as nações, e principalmente após a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, assume papel central como projeção de sistemas políticos diferentes e antagônicos entre os diferentes países, num mundo dividido basicamente em dois blocos.

Hoje em dia a Educação Física escolar assume uma dimensão muito maior do que apenas a prática por motivos de saúde, embora esse propósito não possa de forma alguma ser negligenciado, e o esporte perdeu em muito seu ranço militar, apesar de seu lado de representação de diferentes visões de mundo ainda exista. As cidades brasileiras cresceram e a população urbana passou a ser preponderante sobre o velho Brasil rural.

É aí que, na década de 70, começam a pipocar pelo país as academias de ginástica, e durante os anos 80 e 90 “malhar” ou “puxar ferro” torna-se cada vez mais um estilo de vida, influenciando a rotina das pessoas, a moda, a cultura e a própria linguagem. Surge o termo “fazer o Cooper”, tão a cara dos anos 70 e 80, a partir das demonstrações científicas do Dr. Kenneth Cooper, norte-americano que associou claramente a prática de exercícios prolongados e cíclicos, como a caminhada e corrida, com a saúde cardiovascular, os assim batizados “exercícios aeróbicos”.

Ao passo que levantar pesos deixa de ser “coisa de halterofilista”, e ser “forte”, musculoso (ou musculosa) torna-se algo desejável, correr por tempo prolongado deixa de ser coisa de atletas de atletismo, ser resistente, possuir uma silhueta mais esguia e superar marcas individuais tornam-se objetivos pessoais. A população se encanta com essas duas novas vertentes, a dos exercícios com pesos nas academias e as caminhadas e corridas nas pistas “de Cooper” criadas especialmente para isso. Enquanto isso, somos tomados por uma avalanche de estudos científicos que comprovam os benefícios para a saúde do exercício físico regular, em diferentes aspectos. E o professor Cooper, ainda vivo, firme e forte, deve ficar muito feliz com tudo isso. Nós agradecemos.

Na próxima coluna abordaremos uma das soluções do homem moderno para não ser sedentário, a ginástica em academia.

 

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