Pé na estrada

Luciano Prado / 26/02/2018 - 06h00

Daremos hoje continuidade à abordagem sobre as alternativas que o ser humano encontrou, na atualidade, para combater a tendência contemporânea de sedentarismo. E, mais uma vez, nos deparamos com uma situação que, assim como nosso metabolismo, nosso gasto calórico e nossa alimentação ideal, nos remete às origens da espécie.

Ao longo de milhões de anos, evoluímos para nossa postura bípede e ereta. Existe uma série de teorias que procuram explicar esse processo, desde alterações no teor proteico da alimentação propiciado pelo aprimoramento nas ferramentas produzidas pelo homem até a necessidade de controle da temperatura cerebral.

Mas o fato é que hoje caminhamos sustentados por uma coluna vertebral que, diga-se de passagem, provavelmente ainda não atingiu seu estado final de adaptação evolutiva para suportar a carga da postura ereta. A marcha humana é um processo que provavelmente será alterado ao longo dos milhares de anos porvir, mas é uma fascinante forma de nos movimentar que redescobrimos recentemente, e hoje a associamos ao prazer da atividade física e a suas benesses fisiológicas.

Se até pouco tempo atrás pessoas correndo voluntariamente nas ruas eram vistos como excêntricos que se submetem deliberadamente ao esforço físico e à “suadeira” sem sentido, hoje as ruas estão coalhadas de gente caminhando e correndo. Em nossa cidade, as pistas de corrida nas grandes avenidas e a beira da Lagoa da Pampulha estão engarrafadas de gente, principalmente de tardinha e primeiras horas da noite.

Grupos e consultorias de corrida surgiram nas grandes cidades e hoje começam a tomar até mesmo o interior do país, como reflexo de uma busca por parceiros de tribo e de orientação especializada por professes de Educação Física. E por quê?

A caminhada e a corrida são, talvez, a forma de movimento mais inerente ao homo sapiens, caçador e coletor. Ou seja, nós mesmos. Só que, embora não mais o façamos, redescobrimos o prazer nessa atividade. Esse é seu primeiro, grande benefício. O prazer em nos movimentar, por si só, que já é algo fantástico e nos traz enormes benefícios em termos de saúde e bem-estar mental e, por conseguinte, físico.

O ato de caminhar e de correr é realizado individualmente, o que nos dá independência, mas podemos também estar em grupo. Ao encontrar pessoas com a mesma filosofia de vida, nos agregarmos a elas e praticarmos a atividade em grupo, estamos nos ajudando a combater uma série de doenças degenerativas associadas à idade e de fundo cognitivo, como o mal de Alzheimer e a demência senil, além da perda normal da capacidade intelectual como um todo.

A caminhada e a corrida exigem que coloquemos um volume grande de músculos para trabalhar. Isso faz com que nosso coração e os vasos sanguíneos na periferia do corpo se adaptem para que os tecidos sejam abastecidos com oxigênio. Com isso, o coração se fortalece, as artérias e veias mantém sua integridade em todo o corpo, e a musculatura que realiza os movimentos da respiração se torna mais eficiente e resistente. E esse é um efeito de adaptação à atividade regular que pode ser atingido em qualquer idade, e por qualquer pessoa, independente de seu nível inicial de aptidão.

Obviamente, todo exagero é prejudicial, ainda mais para um organismo talvez não completamente evoluído para suportar nossa postura bípede e ereta. Procure a orientação de um bom profissional de Educação Física, e pé na estrada!

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