Para onde vamos

Luciano Prado / 04/02/2017 - 12h45

Esta semana tive uma intensa jornada de reuniões com dirigentes de clubes, federações e confederações, empresários e representantes de órgãos governamentais, pessoas envolvidas na organização do esporte, em diferentes níveis e de diferentes modalidades. Sinto-me, nessa sexta-feira, como um atleta em fim de prova: exausto e um tanto confuso.

Ainda vivemos a rebordosa (boa e ruim) dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos que sediamos em nosso país, e, obrigatoriamente, uma pergunta nos persegue: o que levamos desta empreitada? O que ficou? Para se usar um jargão bem batido no universo esportivo dos últimos tempos: qual é o legado?

No Rio de Janeiro, tivemos algum sucesso, algumas surpresas positivas e algumas decepções, mas no frigir dos ovos, em minha opinião, o resultado foi bem apresentável. Mas não podemos ficar satisfeitos, por outro lado, com o que foi alcançado nos Jogos e, principalmente, e mais importante, com “o que fica” após esses eventos, se considerarmos o extraordinário potencial de nosso Brasil, nossa diversidade étnica e cultural, nosso mosaico de paisagens, climas, características antropométricas e culturais, sem falar de nossa enorme população. Se pensarmos por esse lado, nossa produtividade é pífia.

A questão, então, que nos perseguiu ao longo da semana, nas inúmeras conversas que tive, foi: por que isso acontece e, de forma ainda mais relevante, o que podemos fazer para reverter esse quadro?

Sem exceção, todas as pessoas com as quais estive envolvido são pessoas “do bem”, interessadas no desenvolvimento do esporte, de nossos atletas. Uma verdadeira enxurrada de iniciativas pontuais nos tira o fôlego, o papo rende, todos falam, e o que se tem, no fim das contas, é um espetáculo pirotécnico de ideias polvilhadas pelo céu, uma profusão de cores e luminosidade intensa, mas, como numa festa de fim-de-ano, o brilho intenso, da mesma forma que, num instante, toma o céu, tão rapidamente se esvai. Fica a fumaça que nos turva até a visão do céu que ali estava, e uma asfixiante angústia da falta de conexão, de clareza, de continuidade e de objetivos amplos e de longo prazo.

Se quisermos utilizar nossas joias preciosas, se quisermos estimular, através do esporte competitivo, a formação de uma sociedade mais civilizada, educada, culta e justa, precisamos, urgentemente, de menos pirotecnia. E mais, muito mais objetividade, simplicidade e clareza sobre onde exatamente queremos chegar.

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários