Professores

Luciano Prado / 01/05/2017 - 06h30

Na coluna passada, tratei de um dos grandes problemas do esporte de formação moderno: a busca exacerbada, sem critérios e sem sensibilidade pelo “sucesso”. Naquele texto, procurei relativizar o próprio conceito de sucesso, quando visto no contexto da criança e adolescentes que estão se desenvolvendo numa dada modalidade. Procurei apontar que ser “vitorioso” nos primeiros anos não significa manter isso até a vida adulta. Mas, ainda mais importante que isso, é saber que a vitória não é apenas a medalha, o pódio, o ganhar. Existem saborosíssimas conquistas muito mais tênues e, em minha opinião, mais relevantes: o prazer de aprender e dominar uma técnica, o ganhar a confiança e a amizade dos colegas, a delícia de simplesmente participar, o alívio quando se domina certos hábitos e se conquista certa disciplina, e a doce sensação de se aprender a perder. São grandes vitórias.

Ainda no texto passado, apontei a importância dos pais e da sociedade no processo de mudança de valores necessário para que tenhamos um ambiente mais adequado na formação esportiva, no que toca a essa cobrança por resultados, que, se inadequada ou exacerbada, pode ser tão deletéria. Hoje, jogo o foco sobre um dos principais protagonistas no processo: o professor.

Em primeiro lugar, que logo se esclareça: em se tratando de crianças e adolescentes, treinadores são professores, ponto final. Em minha opinião, até mesmo quando se trata de atletas adultos, mas isso é passível de discussão. Por quê?

Não se trata, nesse mundo do esporte de formação, de se ensinar apenas técnicas esportivas, de tornar nossos pupilos mais fortes, resistentes, ágeis e rápidos. Treinadores são professores porque são exemplos. Porque são espelhos. Porque são heróis, ídolos. E sua conduta, os valores que incorporam, em que acreditam, desta maneira são passados à frente, reproduzidos de forma exponencial, multiplicados, germinando lá na frente, na vida de cada um dos meninos e meninas. Professores, entretanto, têm personalidades diferentes. Alguns mais disciplinadores, talvez até um pouco mais durões. Outros mais relaxados, tranquilos. Alguns expressam mais seu carinho de forma clara, até física. Outros são mais introvertidos. Alguns explicam com mais detalhe, e apoiam mais nos momentos de dificuldade. Outros procuram deixar que se procure o caminho mais independentemente. Não importa.

O que aqui interessa é que professor saiba abrir a seus alunos/atletas o enorme leque de oportunidades que se descortinará a sua frente, de interações, vivências, possibilidades. Que todos tenham o direito de experimentar, sabendo que irão tropeçar inúmeras vezes, e isso é muito bom e muito importante. É importante que o professor/treinador faça com que o jovem se sinta acolhido, respeitado, e principalmente valorizado em sua busca pela aprendizagem, pelo desenvolvimento, em seu esforço de superar os obstáculos. É procurando vencer os desafios que se aprende. É na procura que reside a vitória. Como sempre digo: o objetivo é o caminho, tem que ser.

 

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