Tempo Quente

Luciano Prado / 02/10/2017 - 12h52

Começou a chuva. Quem mora em Belo Horizonte foi presenteado, na quinta-feira, com o perfume há tempos não sentido de terra molhada e ar úmido. Depois de tantos meses de secura, e principalmente nas últimas quatro semanas, com o ar seco, mas também temperaturas elevadas durante o dia, a chuva parecia um presente dos céus.

Mas não nos enganemos: moramos num país quente, numa região quente, e estamos entrando no período mais quente do ano, apesar de oficialmente se chamar primavera. Isso impõe ao corpo um desafio extra durante a prática de exercícios físicos.

Durante a realização de atividades físicas, ao transformar, na musculatura, a energia química armazenada nos combustíveis carboidratos e gorduras em energia mecânica e, com isso, nos movimentar, produzimos também calor. Essa produção de calor é diretamente proporcional à intensidade do exercício físico realizado e à massa muscular envolvida. Mas os seres humanos são homeotérmicos, ou seja, precisamos manter nossa temperatura corporal estável, dentro de uma faixa aceitável. As temperaturas internas máximas compatíveis com a vida giram em torno de 41,5 graus centígrados, sendo que nossa temperatura de repouso é de aproximadamente 37 graus. Durante o exercício, há a tendência de aumento da temperatura, e o corpo precisa dissipar esse calor.

Existem duas formas relevantes de dissipação de calor durante o exercício físico. A evaporação do suor que resfria a pele e, por conseguinte, o interior do corpo. E a perda de calor num processo denominado condução, quando o sangue flui das regiões mais internas do corpo para a pele, transferindo calor para o meio-ambiente.

A questão é que a evaporação do suor depende do quão seco esteja o ar. Quanto mais seco, mais evaporação, logo mais eficiente fica a evaporação do suor na dissipação de calor. De forma semelhante, quanto mais frio o ambiente, maior a capacidade de o sangue transferir calor para o ambiente, resfriando o corpo. 

Isso significa que o pior dos mundos para a prática de exercícios físicos é o ambiente quente e úmido. Aqui, é importante mencionar que a temperatura média da pele de um ser humano em repouso num ambiente agradável é de aproximadamente 35 graus centígrados.

Nós temos um volume de sangue que pouco varia. Se sangue é desviado para a pele, em algum lugar ele faltará. Durante a atividade física em ambientes quentes, ocorre uma competição por volume de sangue entre os músculos ativos, a pele (para dissipar o calor) e a região central do corpo. Assim, o retorno do sangue ao coração pode ficar diminuído. Como o enchimento do coração durante seu relaxamento determina a força de contração, acontece uma diminuição do volume de sangue bombeado pelo músculo cardíaco a cada batimento. Assim, para que se mantenha o volume de sangue circulante e a intensidade de exercício, mais batimentos cardíacos são necessários por minuto. Isso é denominado aumento da frequência cardíaca de exercício. E esse aumento acarreta numa exigência maior sobre o coração.

E cai o desempenho físico, acompanhando a sobrecarga cardiovascular. Dessa maneira, o exercício físico no calor implica em maior esforço cardíaco e desempenho físico menor. Portanto, ao se exercitar, pense: quanto mais fresco, melhor.

Mas como nosso corpo luta para manter a temperatura e, para isso, produz suor, a desidratação pode ocorrer. Na próxima coluna abordaremos os efeitos dessa perda de fluídos e como podemos atuar para preveni-la.

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