A Enchente das Goiabas

Manoel Hygino / 20/03/2017 - 06h00

No final de março, a grande expectativa e esperança residiam  em chuvas. Aguardava-se ansiosamente as águas de março, que tradicionalmente caem no Dia de São José, 19, na interlândia identificada como Enchente das Goiabas. Para Belo Horizonte, o dia 18 seria de muito calor, quando os termômetros marcariam 31 graus. De modo geral, as previsões da Meteorologia não eram muito animadoras: sol com algumas nuvens, não chove. Ventos brandos nas serras.

Tempo de camisas molhadas pelo suor, de paletós apenas para aqueles que se acostumaram aos gabinetes, que contam com ar refrigerado. O ambiente político tampouco ajudava, extremamente candente. O brasileiro comum tentava entender o que acontece, com os veículos de comunicação divulgando o que é caixa 2, no palavrório dos ases do campo jurídico. 

Ficara registrada a afirmação clara e peremptória da ministra Carmen Lúcia: “Caixa Dois é crime”. Mas como no Brasil, a lei é dura, mas estica, surgem emendas de várias fontes- explicações e argumentos que fundem cucas dos que querem saber exatamente o que ocorrerá.       

Um pormenor foi observado: 15 de março é Dia do Circo e os cidadãos mais malévolos se julgam palhaços em meio ao tumulto político e às discussões jurídicas. Até o fantasma das febres, chikungunya, causada por vírus do mosquito, arrefeceu e, a febre amarela perdeu ressonância, porque estávamos em concentração na busca de respostas para nossas mais íntimas indagações.  E desditas.

Para onde estamos indo?

A avalanche,parece, apenas começa a descer da montanha, e ganhou força com a lista de Janot, (e tivemos em Minas um Janot, que, em épocas passadas, fazia chover.Faz falta a esta altura). Se falhasse a Enchente de São José, outras poderiam sobreviver proximamente. Quem acompanha a mídia, sabe do que se trata.

O ministro da Fazenda, que fala grosso e forte, assegura decisão no dia 22. Será anunciado se haverá necessidade de aumento de impostos, bem como a possibilidade de correção do Imposto de Renda.

Não só: Henrique Meirelles irá dizer se haverá necessidade de cortar gastos para cumprimento da meta de resultado primário. 

Na data, vai-se divulgar o relatório de receitas e despesas do primeiro bimestre, ocasião em que também se atualizarão as projeções para os dados econômicos. Não só: podemos preparar-nos, a talvez, para o contingenciamento, que nos obrigará a apertar mais o cinto.

No mais, a Lista de Janot, segundo Meirelles, não influenciará nem prejudicará a reforma da Previdência, cuja votação na Câmara dos Deputados está programada para abril. Não é primeiro de abril, mas fato.   

Fiquemos de olho: está na mira do Planalto a elevação do PIS e do Confins sobre a gasolina e o diesel, que constitui a alternativa de alta de tributo mais viável para cumprimento da meta fiscal deste ano. Com a providência, conseguir-se-á arrecadação extra de R$ 3 bilhões em 2017.

Verdade que, com isso, o presidente descumpre a promessa de aumentar a carga tributária no seu governo. Mas, a esta altura dos acontecimentos e diante das circunstâncias, isso é apenas um detalhe. 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários