A vulnerabilidade na fronteira

Manoel Hygino / 13/03/2017 - 06h00

O Brasil está quente, quase fervendo, em termos de notícias sobre corrupção e com a sucessão de crimes contra a vida, numerosos deles ignominiosos, que envergonham a nação e ferem nossa tradição de cordialidade, generosidade e solidariedade. No entanto, pouca atenção se dá a determinadas causas dos desafios que vivemos ou com os quais vivemos.

Fala-se em drogas, organizações criminosas, seu poder, os meios com que contam para enfrentar a ordem e o sistema. Comenta-se que os bandidos dispõem de mais instrumentos de ação e de armamentos mais modernos e eficientes dos que os agentes da lei, o que não está inteiramente fora da realidade. 

No caso de contrabando furando as fronteiras, a primeira ideia que se tem é de Foz do Iguaçu, importante encontro do Brasil, Paraguai e Argentina. Pessoas de várias partes do mundo lá residem e exercem atividades, nem sempre muito claras. A possibilidade de atuação de terroristas levou os Estados Unidos a instalar ali um centro de acompanhamento.

Mas nem tudo é Foz, para onde fluem brasileiros, principalmente do Sudeste para compras de produtos de procedência diversa. Os sacoleiros não param e, vez por outra, são assaltados pelos bandoleiros rodoviários ou os coletivos se acidentam, carregando consigo muitas vítimas. 

Isso, todavia, não é tudo, nem o mais importante, como informou, há dias, um militar do alto escalão das Forças Armadas. O general de Exército Teophilo Gaspar de Oliveira, responsável pelo comando logístico da Força de Fronteira, em Brasília, foi suficientemente claro: “O maior problema está no Norte do país, na região da Amazônia. Drogas e armas entram principalmente na fronteira entre Colômbia, Venezuela e Peru. Todo esse material ilegal entra por terra e por pequenos aviões, que seguem para o Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa região não existe monitoramento. A fronteira está aberta hoje para quem quiser. Pela Região Norte entram imigrantes ilegais, criminosos e pessoas que exploram recursos naturais. Mas o maior problema é a entrada de armas e drogas, que abastecem o crime organizado no Brasil”.

O mais peremptório: “Não adianta tomar medidas paliativas. É necessário fazer a fonte secar para as organizações criminosas. Os recursos do crime vêm de drogas e armas. É preciso acabar com a entrada ilegal desses produtos”.

Observa que os integrantes (ex-?) das Forças Armadas de Libertação da Colômbia agem maquiavelicamente diante do acerto de paz firmado recentemente: “Eles mantêm um acordo com o governo (de Bogotá) que prevê a entrega de seu equipamento. Mas eles só entregam armas mais velhas. O que têm de novo, que vale mais no mercado negro, é enviado para o Brasil através do tráfico”.

Especifica: “São armas pesadas como o fuzil AK 47, de fabricação russa. Atualmente, essa é a melhor arma para o crime organizado. Estas armas vão para os grandes centros urbanos e criam maior dificuldade para se combater o crime organizado”. 

No caso da Venezuela, há de cuidar-se especialmente, porque a dupla Chávez- Maduro criou milícias populares e as armou. São mais de 1300 homens com fuzis. Perigos à vista. São “hermanos” mas nem sempre “muy amigos”. 

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