Bauxita e outros minérios

Manoel Hygino / 18/02/2017 - 06h00

Editou-se, em 2016, a Antologia Escritores da Língua Portuguesa III, programada para divulgar autores de nosso versículo em países que não o falam. No terceiro volume, os textos, curtos, em prosa e verso, têm versões em alemão, e os lançamentos foram no 1º Salão do Livro de Lisboa, no 3º Salão do Livro de Nova York e, ainda, no de Montreal, no Canadá.

Antes de entrar propriamente no assunto, cabe uma palavra sobre Jô Ramos, a organizadora do trabalho, jornalista, editora-chefe da revista Lapa Legal Rio, diretora da ZL Comunicação e fundadora do Movimento Defesa da Mulher, que se empenha pelo fim da violência contra mulheres no mundo.

Seguindo o caminho de outras iniciativas bem sucedidas na promoção de jovens escritores de escolas brasileiras e portuguesas, Jô promoveu um primeiro encontro literário em Lisboa, participou do Stand Brasil Mágico da Feira do Livro de Londres e do 2º Salão do Livro de Londres e do 2º Salão do Livro de Nova York. 

Pois a Antologia, já no volume terceiro, aparece com alguns autores mineiros – embora a predominância dos do Sul brasileiro, o que é natural, se se considerar que a publicação se fez em português e alemão. Entre os de cá, estão Blenda Bortolini Barros, de Belo Horizonte, que vive em Genebra, após estudar filosofia na PUC Minas; Else Dorotéa Lopes, de Nova Lima, professora e contadora de história, vinculada a entidades devotadas às Letras e á História em sua cidade e Sabará; Willian Anacleto Figueiredo, de Caratinga e residente em Governador Valadares, engenheiro civil; e Astrid Rosa, artista plástica com formação em Educação Artística, que estudou no Conservatório Lorenzo Fernandes, de Montes Claros, e passou pela escola de arte de Felicidade Patrocínio. Ora, morando em Nova York, participa do Latin Cultura. 

Os tradutores para o alemão foram Ebal Sant’Anna Bolacio Filho, M. A. pela Universidade de Frankfurt, e Naya Holldampg, formada pela Universidade de Passau. Em meio a grande número de escritores brasileiros, poucos conhecidos aliás, surge Aricy Curvello, de Uberlândia, já assaz conhecido em nosso país e traduzida sua poesia para o espanhol, francês inglês e italiano.

A organizadora escolheu para a antologia, um poema de Aricy, que já o trouxera da progressista cidade do Triângulo Mineiro e do seu retiro em Jacaraípe, Espírito Santo, para as páginas de publicações fora do Brasil. 

O poeta, mais uma vez, está presente com seu “O Acampamento”, uma joia de poesia, elaborada quando o autor trabalhava em Porto Trombetas, Norte do Pará. Uma descrição vívida e forte da Amazônia brasileira:

“É uma descrição e advertência naquela ininterrupta extração de minério: Não me disseram a morte próxima da orquídea e do rato silvestre, aldeias de ninhos. Abrem, rasgam, arrebentam a terra para as florestas perecerem sob as primeiras, primeiras estradas. Os homens não buscam a luz do rio. Querem apenas bauxita, bauxita, bauxita, – e alumínio. O Governo quer alumínio, ferro, ouro, cobre cassiterita, chumbo, níquel. Aqui até aqui, o horror veio tecer diademas de injúrias, meu salário”. 

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