Boschi chega à Academia

Manoel Hygino / 08/09/2017 - 06h00

Em 17 de agosto último, a Academia Mineira de Letras inaugurou o retrato de seu ex-presidente Olavo Romano. Ato simples, como acontece comumente na Casa de Alphonsus. Na mesma tarde, elegeu-se acadêmico o historiador Caio Boschi, que ocupará a cadeira de número 30, vaga do também historiador Oiliam José, falecido este ano. Um digno sucessor para um nobre homem de letras, devotado à história, respeitado como secretário perpétuo da Academia, título justíssimo por quem tanto se interessou pela casa e por preservar-lhe a memória.

Com o ingresso de Caio César Boschi, Belo Horizonte ganha mais uma vaga no centenário sodalício, idealizado por mineiros de todos os quadrantes, fundado e instalado em Juiz de Fora, a proclamada Manchester pelo dinamismo de sua gente, por sua capacidade de realização no campo industrial mas também intelectual, cultural e artístico. Consolidou-se pela dedicação e pertinácia de seus diretores e hoje é reconhecida nacionalmente pela dimensão dos nomes que a formam, no campo das letras, e por que não dizer da política? Transferida para Belo Horizonte no final da primeira década do século passado, a Academia sempre acolheu com carinho brasileiros de toda procedência, não só mineiros.

Quando se aproxima o 110º aniversário de sua fundação (já em1919), com longa e bela história, a Academia recebe agora um belo-horizontino amplamente reconhecido e altamente conceituado, não só no Brasil. Doutor em história social pela USP, professor titular de história do Brasil na UFMG (aposentado agora) e também do Departamento da História da PUC Minas, ali exerce a diretoria do Centro de Memória e de Pesquisa Histórica, após desempenhar as funções de pró-Reitor de Pesquisa a Pós-Graduação, além de decano da Reitoria. 

É bem-vindo, por todos os títulos à casa-sede da rua da Bahia, o austero palacete Borges da Costa. Quando tomou a decisão de disputar uma vaga, o mestre declarou que jamais cobiçara habilitar-se à honraria, mas se curvou aos convites dos futuros pares. Aceitou a deferência, por sua formação acadêmica e trajetória intelectual se situarem na área da História, “território no qual Oiliam José, dentre outros espaços, transitou com desenvoltura, autoridade e competência”.

Com dezenas de livros publicados, centenas de artigos e ensaios em revistas especializadas do Brasil e do estrangeiro, atuou na Universidade de Lisboa e do Porto, foi professor convidado da École des Hautes Études em Sciences Sociales, em Paris, e da Universidade de Salamanca. Membro do Conselho Editorial de revistas especializadas no Brasil e em Portugal, e sócio “brasileiro de número” da Academia Portuguesa de História e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, elogiado por intelectuais de Moçambique. 

Não disponho de espaço para citar tantos prêmios e dignidades recebidas, mas não me omito quanto ao “Diogo de Vasconcellos”, que lhe foi atribuído pelo Governo de Minas por seu texto “Estado e Irmandades de Minas Gerais no Século XVIII”, o melhor trabalho de pesquisa sobre história mineira e o fato de seu agraciado pela República Portuguesa com a “Ordem do Infante D. Henrique”, no grau de comendador.

A eleição do professor Boschi à Academia Mineira de Letras é bem-vinda, numa hora em que a Academia desenclausura-se intramuros, passando a interagir com a sociedade, objetivando o estímulo ao conhecimento, o culto do idioma e a preservação da língua.

 

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