Depois do petróleo

Manoel Hygino / 11/08/2017 - 06h00

Como será o Brasil depois do petróleo? Porque, em verdade, chegará o dia em que ele será dispensável. A época heroica do “petróleo é nosso”, que empolgou a juventude brasileira há poucas décadas, já virou pretérito. Lembra-se do tempo de Monteiro Lobato, buscando recursos para explorar o ouro negro fosse na Bahia ou em São Paulo. Escreveu um livro que se tornou famoso e passou uma temporada detrás das grades.

Chegará um tempo em que ter petróleo não é o que hoje ainda representa. A população da Venezuela vive em drama, mesmo com o potencial fantástico de petróleo de que dispõe. A Arábia Saudita e a Rússia não são felizes porque o têm. O Reino Unido continua às turras com a Argentina por se supor ali existirem reservas petrolíferas fantásticas.

Mas o carro elétrico para os táxis já está em teste em Belo Horizonte e, em vários países da Europa, já constitui uma realidade. Enquanto eclodia o maior escândalo do Brasil nos negócios públicos, envolvendo a Petrobras, cuidavam os países desenvolvidos de produzir sucedâneos para os derivados de petróleo. Há um longo caminho ainda a transpor, mas há perspectivas seguras de outras fontes energéticas disponíveis.

Há a teoria de que, a partir de 2013, a capacidade produtiva de petróleo não mais conseguiria acompanhar a demanda, pois – com a extração em declínio – se causariam sérios transtornos à civilização. Esta perspectiva foi defendida por Kuell Alekle, sueco, professor de física, astronomia e sistemas globais na Universidade de Uppsala. Mas esse horizonte não foi considerado pelos países produtores e consumidores, que não podiam – nem podem – parar. 

Os presidentes americanos George Bush e Barack Obama admitiram o momento em que a economia do mundo teria de ajustar-se à escassez de energia extraída das entranhas da Terra. O escritor Célio Pezza tratou do assunto e concluiu: “Nenhum governante quer ser chamado de profeta da desgraça por divulgar situação tão grave, de forma clara. Ela é uma sentença de morte para um estilo de vida comunista e capitalista, totalmente dependente do petróleo”. Daí, iniciativas múltiplas para dar solução ao problema, não tão distante quanto se imagina. 

O Brasil está metido no “imbróglio” e não tem como escapar. Tanto é verdade que energia amplia o espectro de atenção das autoridades. A produção de hidráulica não estagnou os estudos para a fonte eólica ou térmica. As frotas de veículos não deixam de aumentar, seja de caminhões ou de automóveis.

E brasileiro não abre mão de celular, praia, futebol e um carro. 

Na Arábia já se ensina aos mais jovens: “O meu pai andava de camelo, eu ando de carro. O meu filho anda de avião, o filho dele andará de camelo”. É o que não se quer na terra descoberta por Pedro Álvares, muito maior em extensão que a dos sauditas.

Quanto a escândalos, chega o da Petrobras, que tanto arruinou o nosso prestígio em níveis interno e internacional. 

 

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