Em favor da cultura

Manoel Hygino / 04/08/2017 - 06h00

A despeito da crise, que serve de argumento a mazelas causadas pela omissão de determinadas áreas do poder público, é dever registrar a permanência do Suplemento, criado por Murilo Rubião e cujos números 1.370 e 1.371 (vou escrever a respeito em outro comentário) acabam de sair pela Imprensa Oficial (IO) de Minas Gerais. Podem deles se orgulhar o secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo, seu ex-diretor, o subsecretário da IO, Tancredo Antônio Naves. É uma publicação que honra nossos foros de cultura e de letras, cujo prestígio se aferirá pelo rol de colaboradores de outros estados. 

Mas não me omito com relação a Memória Cult, revista que circula graças à dedicação de Eugênio Ferraz, diretor-executivo e editor-geral, que lançou recentemente seu número 21, também acessado eletronicamente. Responsável pela publicação, membro do IHGB e do IHGMG, ele foi superintendente em Minas da Receita Federal e diretor-geral da Imprensa Oficial, prestando expressivos serviços nas áreas de cultura, história e artes.

Confirma-se, deste modo, que nem tudo se perdeu e que mais de útil está a caminho. No novo número da Revista, comparece o desembargador Herbert Carneiro, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ex-presidente da Amagis, que tanto colaborou para a consecução de importantes projetos culturais. Entre eles, a própria Memória do Judiciário e a bela revista da entidade.

Anuncia-se o lançamento de “Ortografia Amorosa”, de Bruno Terra Dias, juiz de direito, que percorreu Minas Gerais como promotor, delegado de polícia e bancário. Tem muito o que contar, portanto. 

O jornalista Mauro Werkema presta homenagem a Roque Camello, ex-prefeito de Mariana, advogado, idealizador do Dia de Minas, presidente da Academia Marianense de Letras. A morte prematura de Roque surpreendeu e entristeceu. Silvestre Gorgulho evoca Lúcio Costa, autor do projeto de construção de Brasília, e José Aparecido é lembrado mais uma vez por sua presença e atuação nos círculos culturais brasileiros.

Zenoni Neves escreve sobre a paixão de sua vida, o rio São Francisco, para enfatizar que hoje há em Belo Horizonte o Museu Antropológico, com um projeto pedagógico de relevo, que precisa ser conhecido pelos mineiros e por quantos nos visitam. José Renato de Castro César publica artigo sobre o Museu do Índio, que dispõe de equipe do mais alto nível visando preservar um belo acervo para a cultura brasileira.

Geraldo Veloso inclui bela matéria sobre “A Memória Telegráfica”, que focaliza Abelardo Carvalho, garoto de Iguatama que fez um filme. E Veloso, escritor, produtor e diretor de cinema, coordenador do Consórcio Mineiro de Audiovisual, fala de cátedra.

Finalmente, mais dois preciosos textos: de Yvone de Souza Grossi, sobre escravos libertos das Minas Gerais do século XIX, e Marcos Paulo de Souza Miranda, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande, sobre pedras e símbolos em Minas Gerais. São, de fato, documentos que merecem leitura e rigorosa guarda. 

 

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