Em plena revolução... a de 1930

Manoel Hygino / 12/05/2017 - 06h00

O volume descreve a luta entre os soldados do antigo 12 RI, Décimo Segundo Regimento de Infantaria do Exército, em 1930. Resume e detalha episódios que marcaram outubro daquele ano, em Belo Horizonte. “A Odisséia do 12º Regimento” é um relato que deve ser lido até porque há fatos ainda hoje – decorridos mais de oitenta anos – não suficientemente esclarecidos. Em termos de tempo, ainda estamos bem perto dos acontecimentos que marcaram mais de uma geração. 

O texto central foi redigido pelo capitão Josué Justiniano Freire, que viveu a tragédia dos componentes do Regimento, desde 3 de outubro, quando eclodiu a revolução. A edição, que tenho em mão, se deve a João de Souza Armani, idealizador da Associação dos Reservistas do Brasil, AREB, e seu presidente desde 2000. 

A entidade participa anualmente dos desfiles do Dia da Independência e se incumbiu de programar a tiragem ora comentada, inclusive à guisa de homenagem ao capitão Justiniano, oficial presente no quartel durante o cerco que lhe moveu a Força Pública do Estado. 

Com adendos, o livro focaliza um momento difícil para o país, concluindo com a deposição do presidente Washington Luís e com a ascensão de Getúlio Vargas, presidente do Rio Grande do Sul, à chefia dos destinos nacionais. 

Eis uma época de efervescência que culminou na eclosão do movimento revolucionário. Era a Aliança Liberal contra o estabelecido e a contestada eleição de Júlio Prestes à sucessão. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, que indicara seu presidente, João Pessoa, à vice-presidência da República, opuseram-se ao resultado das urnas. O centro mais acirrado da reação armada foi Belo Horizonte. Os detalhes são descritos em pormenores neste livro, que pode ganhar mais dimensões, à medida que novas informações forem colhidas.

No que está até aqui, há a descrição minuciosa do que se apurou, a prisão de oficiais que se encontravam em suas casas em 3 de outubro, seus nomes, onde residiam, como foram detidos e para onde e como foram transportados, inclusive o comandante do Regimento, Cel. Joaquim José de Andrade.

Também se conhecerá a importância fundamental de Cristiano Machado, secretário do Interior de Minas e coordenador das operações. Identificam-se oficiais do Regimento, e o sacrifício do tenente Rui, na defesa do quartel, transformado em alvo principal da Força Pública. O tenente empresta, hoje, seu nome à rua Brito Melo, nas proximidades do centro dos acontecimentos.

Para vencer a resistência do Regimento, chega-se a cortar a energia elétrica e a envenenar a água com creolina. O mau cheiro emanado do quartel pela decomposição dos corpos dos animais mortos nos ataques da Força Pública, principalmente cavalos, chegava longe. 

A população próxima sentia tudo e temia as rajadas de tiros que faziam a cidade tremer. Em hora grave, entre os oficiais que morreram, o major Bragança, cujo mistério de execução jamais foi desvendado e divulgado. De todo modo, o volume merece ser lido.

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