O aniversário de Fidel

Manoel Hygino / 27/07/2018 - 06h00

Não sei se era sexta-feira, mas foi em 13 de agosto, no remoto 1926, que nasceu Fidel, em Birán, pequeno povoado da província de Holguín, em Cuba. Se fosse vivo, completaria 94 anos em 2018. Filho de imigrantes espanhóis e proprietários rurais, estudou em Santiago de Cuba e Havana. Em 1944, recebeu o prêmio de atleta estudantil e, no ano posterior, ingressou no curso de Direito da Universidade, tornando-se em seguida, dirigente da Federação dos Estudantes Universitários. Alina, a filha rebelde, como tal considerada por não poucos, conta que, na Faculdade, não concluiu o curso e não aprendeu qualquer ofício. Tentou todas as possibilidades no comércio, desde criar galinhas a granel no sótão do prédio em que se instalara, até vender frituras num esquina de Havana Velha. 

O parágrafo seguinte é todo dela: “Foi, então, que decidiu usar astúcia na política. Conseguiu livrar-se dos rivais e, numa ascensão pontilhada de convenientes acidentes, atingiu o status de líder estudantil... Tinha uma estatura irrepreensível e o encanto de sem-vergonhice”. 

Fidel conseguiu subir e se contrapôs a Fulgencio Batista, ex-sargento-taquígrafo do Exército. Este começou a agir conquistando apoio de círculos militares. Fez-se general e, em março de 1952, se nomeou presidente da República. 

Fidel adotou a política anti-imperialista de esquerda, enquanto estudava Direito. Depois de rebeliões contra os governos de direita na República Dominicana e Colômbia, planejou a derrubada do presidente Batista, lançando um ataque fracassado ao Quartel Moncada em 1953. Depois de um ano de prisão, viajou para o México, onde formou um grupo revolucionário, com seu irmão Raúl Castro e Che Guevara. Voltando a Cuba, assumiu papel fundamental na Revolução Cubana, liderando o movimento em uma guerrilha, na Serra maestra. Após a derrota de Batista em 1959, assumiu o poder militar e político como primeiro-ministro de Cuba. Os Estados Unidos ficaram alarmados com as relações amistosas de Castro com a União Soviética e tentaram removê-lo através de assassinato, bloqueio econômico e contrarrevolução, invasão da Baía dos Porcos em 1961. 

Adotando um modelo marxista-leninista de desenvolvimento, Castro converteu Cuba em uma ditadura socialista sob comando do Partido Comunista, o primeiro do hemisfério ocidental. As reformas introduziram o planejamento econômico central e levaram Cuba a alcançar índices elevados de desenvolvimento humano e social, como a menor taxa de mortalidade infantil. 

O mundo todo sabe sobre Fidel, diante das posteriores dificuldades internas e falta de investimentos soviéticos. Em julho de 2006, doença nos intestinos, levando Fidel a transferir a presidência ao irmão Raúl. Em 2008, anuncia que não se candidataria á presidência. Bom esclarecer que Fidel nunca foi eleito por via direta. Em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos, falece. 

Entre 13 próximo e 15 de novembro, haverá em Cuba consulta sobre mudanças fundamentais. O termo “comunismo” é eliminado da Carta Magna, reconhece-se a propriedade privada e a possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo gênero. Os ossos de Fidel devem estar tremendo sob a terra cubana.

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