O espectro bolivariano

Manoel Hygino / 06/05/2017 - 06h00

Há sempre renovado esforço de determinadas pessoas e grupos para piorar a situação do Brasil e dos brasileiros, embora o propósito se mantenha difícil, dado o quadro em que já nos encontramos. A despeito disso, dos protestos dos que querem a baderna por todos os meios, os heróis dessa empreitada antipatriótica insistem. Foi o que se viu, no último dia 28, quando se quis paralisar o que funciona.

Suponho, todavia, que não conseguiam fazer com que atinjamos o caos a que chegou a Venezuela, de onde procedem diariamente dramáticas notícias (não evidentemente comparáveis as do Oriente Médio, como as da terrível tragédia síria). 

Há anos, a Venezuela vive à beira da ruptura institucional. Assumiu o novo nome de República Bolivariana da Venezuela e mexeu com as instituições do Estado, após aprovação da nova Constituição, promulgada em dezembro de 1999. Eliminou-se o Senado Nacional e se instituiu o Parlamento unicameral, ampliaram-se os poderes do presidente, admitiu-se a reeleição, consagrou-se o monopólio do petróleo e reduziu-se a jornada de trabalho. Nada melhorou. Antes pelo contrário.

Ao invés de beneficiar o povo, apertou-se o cerco e o cinto. Com a venda externa de petróleo, montou-se um arsenal de guerra contra o inimigo do Norte, os Estados Unidos, seu maior consumidor. De 2005 a 2010, adquiriram-se da Rússia 4 bilhões de dólares em armamento, enquanto se dava ênfase ao envio do seu principal produto para a China. 

Paulatinamente, o perfil de Chávez se foi deteriorando, aproximando de outros caudilhos venezuelanos. A situação econômica se agravava, silenciava a imprensa, crescia a inflação, diminuía a popularidade, começava a faltar tudo: medicamentos, alimentos, produtos de necessidade, até papel higiênico. Os protestos nas ruas foram, e são, combatidos pela força (29 pessoas já morreram), com os militares protegidos por altos salários e cargos.

A morte de Chávez, vítima de câncer que não quis ter sido tratado no Brasil, correspondeu à ascensão de Nicolás Maduro, sem competência para dirigir o país.

No ano passado, a Semana Santa foi considerada feriado, a fim de se economizar água e energia elétrica. A população foi “chamada” a seguir o amável convite. Ao sexo feminino, sugeriu-se redução no uso de secador de cabelo ou sua utilização apenas em casos especiais. O racionamento elétrico em hotéis e shoppings subiu para nove horas diárias.

Na semana passada, Maduro anunciou aumento de 60% no salário mínimo do trabalhador, que também recebe um bônus de alimentação. O salário se elevou a 65.021 bolívares, o adicional a 135 mil bolívares, não influindo nas férias ou gratificação natalina.

Observe-se: é o terceiro aumento salarial em 2017, este último no Dia do Trabalho ou do Trabalhador. O que parece bondade não o é tanto, se se considerar a inflação prevista de 720%, a mais alta do mundo.

Não adianta reajuste, pois não existem produtos básicos. Maduro assegura: “Vamos ganhar esta guerra contra a oligarquia”. E milhares de hermanos escapam à fome e ao desemprego pela fronteira em Roraima. 

 

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