O mundo de Olavo Romano

Manoel Hygino / 16/03/2017 - 06h00

Embora com mais de um stent implantado no peito, Olavo Romano mantém intensa atividade diária e um bom-humor invejável, com suas gargalhadas ruidosas e tempo para contar e escutar “causos”. Sua juventude de quase octogenário se percebe por onde anda e para onde vá, nos programas de televisão com Saulo Laranjeira, em encontros com grupos de pessoas que gostam de ouvi-lo, como no encerramento dos trabalhos anuais da Associação das Voluntárias da Santa Casa (Avosc), no ocaso de 2016. 

Agora, lançou novo livro “A Cidade Submersa”, com histórias de gente que é gente como nós, que foi ou é do interiorzão mineiro, ou extraído da convivência do antes e do agora. Na agitação de toda capital, suas páginas servem como excelente dose de alegria, de amáveis lembranças e de amor à vida.

Nascido em Morro do Ferro, juntinho de Oliveira, a que já pertenceu, Olavo se formou em direito, aprendeu e lecionou Inglês e administração, aposentando-se como Procurador do Estado.

Em sua mais recente produção há uma coleção de bons episódios. O autor lembra, por exemplo, seu amigo e vizinho Heros Jardim, magistrado aposentado, pai do médico Francisco e do desembargador Mateus.

O juiz é casado com Amasiles, companheira de uma longa vida, e ela recorda a primeira comarca a que o marido serviu. A um mendigo que bateu à porta, pedindo um resto de comida, ela lhe ofereceu um prato e prometeu mais nos dias seguintes, com uma condição: que viesse sempre na mesma hora para não tumultuar a rotina da casa, o almoço do marido e da família. 

Tudo funcionou no princípio. O senhorzinho aparecia em tempo hábil, apanhava a comida e se ia. Acontece, como sempre. O pedinte começou a falhar no compromisso, não comparecendo para a doação ou chegando antes da hora ou atrasado. Dona Amasiles ficou brava e lembrou-lhe o trato de pontualidade. O homenzinho agradeceu e a caridade, pediu desculpa, mas contestou: “Assim, com tanta exigência, não vai me interessar, não”.

O juiz, em certa época, se interessou pelos discos voadores, assunto sempre atualizado e próprio para boas conversas e relatos. Aventurava-se com amigos pelas regiões em que constava os OVNIs ou UFO terem aparecido ou adequadas a que descessem no planeta Terra.

Animado, o grupo dirigiu-se à Serra do Cipó, perto de Vera Cruz. Ali, uma senhora contou de seu pavor ao ser perseguida por objetos luminosos, em forma de charuto. Relatou de seu comportamento quando o objeto voador se aproximava. Tremendo de medo, traumatizada, certa feita entrara numa moita e ali ficou um tempão, como se fosse uma nhambu, pássaro de nossas veredas. Um dos integrantes da comitiva pesquisadora quis saber mais: “Feito nhambu?”. A entrevistada não titubeou e explicou “É, cabeça no chão, bunda pra riba”.

Outro caso é do juiz, ouvindo um depoente em interrogatório, no Fórum, ao inquirir sobre o número de filhos. O cidadão contou nos dedos, um por um, dizendo os nomes. De repente, parou e perguntou: “Os particula também conta?”.

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