Os maus caminhos do país

Manoel Hygino / 14/03/2017 - 06h00

Não bastou o vexame assistido por milhões de pessoas em todas as partes do mundo, quando a equipe de futebol do Brasil foi esmigalhada pelos alemães por 7 a 1. Jamais, em tempo algum, alguém poderia imaginar tão fragorosa derrota. Mas aconteceu e não admite dúvida.

Não só isso. Neste março, o popular jornal francês “Le Monde” noticiou a respeito da suspeita de corrupção na escolha do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. Disse que três dias antes da definição como cidade-sede, em 2 de outubro de 2009, uma companhia ligada ao empresário Arthur César Mendes Soares Filho, apelidado de Rei Arthur, teria entregue U$ 1,5 milhão a Papa Diack, filho de Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo e membro influente do Comitê Olímpico Internacional, para influenciar os votos na eleição da sede das Olimpíadas.

“Trata-se de uma triste novela que começou com o escândalo da construção de estádios e acabou com o episódio de obras olímpicas em deterioração, entre elas o Maracanã”. “O Rio teria trapaceado”, concluiu o diário francês. 

No dia 6, aliás, o jornal publicou outra reportagem sob título de “Favela Olímpica”, criticando o estado das instalações erguidas para os Jogos Olímpicos. Afirmou que, seis meses após as disputas, a população sentia revolta e indignação com o estado do Parque Olímpico, a cerca de 20 quilômetros de um dos bairros mais seletos da cidade, considerado a “Miami do Rio”, agora com piscinas cheias de lixo e larvas.

No momento em que a imprensa inteira mostra o estado horrível das rodovias federais, seria apropriado perguntar-se se não teria sido menos clamoroso que se utilizassem os recursos empregados na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos para recuperá-las. Não se trata de pequenas estradas entre municípios (que são os que dão votos). Como as televisões presentemente mostram à suficiência, constituem rodovias sumamente importantes para a economia nacional, inclusive para escoamento de safras valiosíssimas à nossa receita internacional.

O que as telas nos revelam constitui um atestado insofismável de que andamos por maus caminhos... Resultado de desvios de recursos públicos, uso de propinas, além de tantos outros métodos praticados pela corrupção, que nos agride eticamente e nos envergonha.

Perdemos milhões pela impossibilidade de exportar nossa safra atual e os estrangeiros que veem as péssimas condições das estradas devem fazer a pergunta que o Brasil aprendeu, há anos: “Que país é este?”.

Enquanto as carretas afundam na lama e derrapam, sentimos os efeitos dolorosos da demagogia e da desonestidade no uso das reservas do erário, até pela degradação das instalações esportivas, que sequer conseguimos pagar integralmente até hoje. 

O cidadão deste país, a cada dia, constata para onde vai o seu dinheiro. E a receita tributária nacional já superou em 2017 a do ano passado no mesmo período. É algo para se meditar e extrair lições. 

 

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