Sétima arte em Mariana

Manoel Hygino / 03/08/2018 - 06h00

Primeiro cinema em Mariana! Surpreendi-me com a notícia em jornal belo-horizontino, porque a velha Ribeirão do Carmo, foi a primeira vila, cidade, e capital de Minas Gerais, sem falar no primeiro bispado e arcebispado, títulos que fazem orgulho aos que lá nasceram e viveram. De todos os mineiros, enfim. Honra e glória de todos nós!

Perguntei-me: primeiro cinema? Tive muitos amigos do Ribeirão do Carmo, alguns hoje não mais ao nosso lado. Mas as recordações são as melhores. Diante do noticiário, que naturalmente me atraiu o interesse, consultei o jornalista, escritor, confrade na Academia Mineira de Letras, Danilo Gomes, que prontamente me esclareceu, em 30 de julho último:

“Amigo e mestre Manoel Hygino, muito saudar! Informo ao ilustre colunista que não se trata do ‘primeiro cinema’ a ser inaugurado em Mariana. Na década de 1940, já tínhamos o Cine Theatro Central, na Praça Gomes Freire, dito Jardim de Cima, com coreto e tudo, cenário de “footing” e namoro. Ali, eu, Emanuel Muzzi, irmãos e amigos, naquela década seguinte, vimos muito filme romântico, muito faroeste com John Wayne (que você viu em Miami, “há milênios”!), Tom Mix, Hopalong Cassidy, Randolph Scott, Roy Rogers, Charles Starrett, Audie Murphy, filmes com H. Bogart, James Mason, Cantinflas, o Gordo e o Magro, Oscarito, Grande Otelo, Três Patetas, belas atrizes como Joan Collins e Monica Vitti, Doris Day, tantas outras. Mais Tarzan. Maris seriados como “A Ilha Misteriosa”, do tempo da guerra. Até a sensualíssima (!!!) Brigitte Bardot, perdição dos adolescentes fogosos... Silvana Mangano dançando rumba era uma luxúria, amigo...”

Mas, o excelente escritor marianense, radicado em Brasília, há décadas, não se deu por satisfeito e acrescentou, recordando ainda seu tempo de jornalista no Palácio do Catete, quando presidente da República o gaúcho de São Borja, Getúlio Vargas. Por sinal, no dia 24, mais um aniversário do triste fim do aliado de Minas na Revolução de 1930: aquele modesto cinema era o nosso “Cinema Paradiso”, sem tirar nem pôr. Quando vi esse filme italiano (duas vezes), vi-me no nosso cinema, em Mariana: me emociono pra burro, até hoje, choro feito bezerro desmamado. 

Toda quinta-feira havia um seriado, que nos deixava de cabelo em pé. Tínhamos que esperar uma semana para ver o que aconteceria com mocinhos e vilões. A fita arrebentava, a luz se acendia, vaias e pateadas. Tudo em preto-e-branco. Color boy tecnicolor, só muito depois. Depois o cinema fechou, por muitos anos. O SESC o reformou, ficou um brinco, mas sem a magia antiga, o charme do passado. Agora temos novo cinema da Vila do Carmo? Nossa Velha Guarda gostaria de saber que história “cinematográfica” é essa, Hygino amigo. Abraço vilacarmense do velho cinéfilo Danilo Gomes.”

Cabe, assim, lançar luzes sobre a dúvida suscitada. O que se inaugurou, recentemente, foi uma série de exibições cinematográficas em praça pública, com cadeiras para o respeitável auditório, na sede e distritos. Algo como aconteceu em Belo Horizonte, nos anos 1950, com o Cine Grátis, de Paulo Quintino dos Santos, ou o Cinema Educativo, que Zolton Gluek criou para visita a bairros e vilas, quando foi chefe do Serviço de Turismo e Recreação, na gestão municipal de Giannetti.

 

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