Santa Casa fecha centenas de leitos

Manoel Hygino / 05/05/2017 - 06h00

Em 118 anos de existência, que se completam no próximo dia 21 de maio, jamais a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, responsável pela instalação do primeiro hospital da capital mineira, chegou ao ponto de agora. 

Neste mais de um século, prestou os mais relevantes serviços à comunidade mineira, inspirou e ajudou a fundar as duas primeiras faculdades de medicina, consagrou-se na formação profissional no ensino e pesquisa, inovou em vários campos das ciências médicas, expandiu-se, formou centenas e centenas de médicos, foi pioneira e ajudou no crescimento saudável de uma população sempre crescente. 

Falar do que ela representa para o Estado, seria inócuo, chover no molhado. Enfrentou crises e crises no decorrer do tempo, mas encontrou a sensibilidade do poder público, principalmente por prestar assistência aos segmentos mais carentes da sociedade. 

Tornou-se o maior complexo hospitalar de Minas e um dos maiores do país. Para cá, acorrem pacientes de todos os estados, mesmo de outros países.

Em meio às carências, contudo, defrontando no passado até greves de servidores por atraso de salários, não se curvou às adversidades e às circunstâncias. Procurou tenazmente meios e condições para vencer suas dificuldades, por mais ingentes que fossem, para suprir a demanda de uma população que precisa imensamente de assistência, daquele atendimento que as prestadoras oficiais de serviços por múltiplas razões não oferecem. 

Neste ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017, contudo, aconteceu o cruelmente inédito. A Santa Casa se viu no constrangimento indesejado de fechar temporariamente 400 leitos em seu Hospital Central, o maior do estado, com mais de mil destinados ao SUS. 

Motivo: o estabelecimento não dispõe de condições para suprir todos os setores em suas necessidades elementares, inclusive no que tange a medicamentos e outros materiais indispensáveis ao tratamento dos enfermos. 

É terrivelmente dolorosa a nova realidade para a entidade mantenedora do complexo hospitalar, bem como para seus funcionários (que são mais de cinco mil), médicos e, antes e acima de tudo, para os doentes, a que se garante pleno atendimento aos já internados. 

Ontem, a instituição expediu nota interna comunicando o fato e suas razões, já prevendo a redução do faturamento pelo emergencial fechamento de leitos. Ainda: também, ontem, decidiu-se conceder férias coletivas remuneradas este mês ao maior número possível de empregados. 

Para proteger interesses, dentro do possível, dos servidores, houve por bem assegurar-lhes o pagamento do salário do mês, deixando o futuro por conta dos fornecedores de recursos financeiros e de Deus, que deve estar atento aos acontecimentos. O registro é de tristeza. Mas a sociedade tem o direito de saber o que acontece.

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