Setembro: Perspectivas e lembranças

Manoel Hygino / 06/09/2017 - 06h00

Tão esperado, finalmente setembro chegou, com o anúncio da Primavera, que aqui sai impresso com maiúscula inicial para demonstrar a confiança em dias melhores para o Brasil e os brasileiros. Apesar disso, as perspectivas ainda são sombrias, no mínimo duvidosas. Os horizontes políticos não são animadores e com os sintomas, tênues, de despertar da economia.

José Ponciano, técnico em meio ambiente e recursos hídricos, estudioso do tempo e dos homens, reflete: “os recursos da Natureza são vitais para a sobrevivência. O solo e a água pertencem à mãe Natureza, um bem precioso que nos é emprestado por momentos, aliado às nossas necessidades”. O homem, vê-se, tem grave responsabilidade na gestão da água, bem que não lhe pode faltar para saciar a sede, a preparação de alimentos, a higiene doméstica.

Duas notícias chamam a atenção no boletim diário que recebo e leio pela manhã. Pela primeira vez, a Marinha do Brasil participará dos desfiles de 7 de Setembro, em Montes Claros, no nosso sertão, e tem início a primeira etapa do Projeto Captação do Rio São Francisco, em Ibiaí. Com os dois fatos, verifica-se que a grande corrente nascida em Minas Geais, pelos lados de São Roque, se integra mais ao Estado, para servir à extensa e muitas vezes esquecida região norte-mineira.

Nem tudo, entretanto, gera otimismo neste nono mês, tão rico em história, e que foi o sétimo dos romanos, quando o ano começava em março. O primeiro mês do ano civil dos hebreus, sempre teve 30 dias. Tentou-se, sem êxito, mudar-lhe o nome, na velha Roma, para Tiberius, Germanicus, Antonius e Hércules. Então, rendia-se homenagem a Júpiter no seu templo do Capitólio, para que o Inverno fosse benigno e as sementes germinassem.

Para 2017, entre nós, constato que as previsões não são benévolas. Não há esperança de chuva e o mês será muito seco no interior do Brasil, de que as repetidas queimadas em várias regiões dão um panorama até assustador. Na primeira quinzena, bastante chuva no Rio Grande do Sul, dos bravos gaúchos Ruy Nedel e Nelson Hoffmann, talvez por isso impedidos de suas atividades costumeiras pela passagem de frentes frias.

O anúncio prevê boas chuvas apenas em outubro, expulsando – como esperamos – o ar seco que incomoda e causa doenças às crianças de zero a oitenta anos. Mas nem tudo deverá ser – também confio – como outros setembros da história mais recente, com a tragédia das Torres Gêmeas, em Nova York, testemunhada por bilhões de pessoas em todo o mundo pela televisão, no inesquecível e terrível 11 de setembro de 2001. Três mil vidas foram cruelmente destruídas e por elas ainda se vertem lágrimas.

No Japão, junto ao qual cruzam os céus agora os poderosos aviões do ditador norte-coreano, no primeiro dia de setembro de 1923, um terremoto de altíssimas proporções arrasou o país, resultando em mais de 3 milhões o número dos mortos, sendo Tóquio atingida por um grande incêndio, de que não escapou o próprio palácio imperial. 

Há um rol de tragédias a registrar. Em 3 de setembro de 1939, a Alemanha de Hitler invadiu a Polônia. Inglaterra e França reagem e começa a 2ª Grande Guerra. No dia 3, em 1941, foram perpetradas as primeiras mortes em Auschwitz. Não se pode esquecer, mas não é hora de se lembrar, porque desejamos vislumbrar dias mais auspiciosos.

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