Até o horário gratuito quem paga é você

Mateus Simões / 14/05/2018 - 06h00


O sistema de financiamento eleitoral do Brasil é o mais absurdo que se poderia imaginar. As pessoas são obrigadas a custear as campanhas eleitorais dos mesmos políticos que elas esperam sejam presos, mas que conseguem se manter fora da cadeia por meio do foro privilegiado. Em números, vamos tirar de saúde, educação e segurança nada menos do que R$ 2,5 bilhões nesse ano de 2018 para financiar essa turma e, com isso, eles pretendem se reeleger e continuar fora da prisão.
Ou seja: não satisfeitos em desviar ilegalmente recursos públicos, os políticos brasileiros garantem o repasse legal dessa fortuna para garantir suas reeleições e, com isso, seu acesso aos cofres públicos, para que possam impunemente continuar a limpeza…

Não é sem razão que, por aqui, temos a deplorável situação dos partidos de aluguel - siglas partidárias criadas exclusivamente para juntar meia dúzia de deputados fisiológicos que, ao final, angariam esses recursos públicos para se financiar e, ainda, alugam, a troco de mais dinheiro, seu tempo de televisão para outros partidos.
Para aprofundar o pesadelo, é importante dizer que o horário eleitoral, de gratuito, tem apenas o nome. É que ele é pago, comprado com dedução fiscal, a valor de mercado - uma verdadeira fortuna, mais uma vez destinada a garantir a manutenção do poder na mão de quem já ocupa as posições de comando do país e que, exatamente nessa condição, têm lesado o país há décadas.

Uma máquina de destruir qualquer esperança de mudança, estabelecida pelos que estão confortavelmente estabelecidos na política brasileira há décadas e vêm legislando em causa própria desde sempre.

A descrença dos brasileiros em partidos políticos, portanto, tem motivos mil para existir, mas nem por isso ficaremos livres do problema. E, exatamente por isso, é que insisto na necessidade de que as pessoas ocupem os espaços públicos que, por preguiça, nojo ou medo elas vêm deixando abertos para o que há de pior em nossa sociedade. A velha política não desocupará voluntariamente o poder. Ela terá de ser expulsa de lá pela chegada de quem se proponha a desafiar essa avacalhação.

Por aqui, o único partido que você não está patrocinando é o NOVO. A menos que você seja filiado, já que ele é o único que se financia apenas com a contribuição de seus próprios apoiadores. O motivo é simples: ninguém deveria ser obrigado a sustentar a política, especialmente em um momento como o vivido no Brasil, em que os partidos que recebem esses benefícios são exatamente os que ocupam as páginas policiais e que os brasileiros preferiam ver varridos do cenário político nacional.


 

 

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