"Jeitinho brasileiro" de praticar extorsão

Mateus Simões / 16/04/2018 - 06h00


Todos têm um caso curioso para contar sobre uma abordagem de flanelinha nas ruas de BH – desde vagas reservadas com cones às longas filas duplas organizadas por equipes de flanelinhas, com pencas de chaves de carros, passando por situações mais graves de violência e ameaças aos motoristas e seus veículos. Essa figura, o flanelinha, é tipicamente brasileira e representa, por aqui, uma forma antiga de se praticar extorsão em praça pública.

Só há duas visões possíveis para o que o flanelinha pretende vender: ou a proteção do carro de si mesmos – em clara extorsão – ou o aluguel do uso do espaço público como se fosse de sua propriedade. De uma forma ou de outra, a ação é ilegal e absurda. A solução para o problema pode parecer complexa, mas não é. Isso porque a legislação municipal já proíbe expressamente a presença dessas figuras na rua. A situação é regulamentada para impor à fiscalização que atue contra essa prática, que, no entanto, continua acontecendo, inclusive em frente a repartições municipais de BH. Triste, vergonhoso e perigoso.

A atuação fora dessa curva de imobilidade parece ficar por conta da Polícia Militar, que tem já imposto, nos últimos tempos, um tratamento firme contra a prática no entorno de eventos e estádios de futebol. Mas não é suficiente, já que o problema está em toda a cidade.

Mais estranho é que os lavadores de carros credenciados da PBH parecem se sentir autorizados pelo poder público a atuar como flanelinhas, quando, na verdade, são expressamente proibidos de fazê-lo. E essa atuação irregular, não tenho dúvidas, deveria resultar na perda de suas licenças de lavadores.

Em meio à iniciativa de fiscalização da segurança que tenho promovido em BH, ao longo dos últimos meses, em conjunto com outros vereadores, vou exigir, mais uma vez, atuação firme da PBH e explicações sobre sua tolerância com a proliferação dessa prática que provoca insegurança, assevera a violência e permite, à plena luz e perante todos, a prática de uma ilegalidade por qualquer ângulo de análise. Ano passado tivemos em BH até uma pessoa esfaqueada por flanelinha diante da recusa de pagamento. Não é possível que vamos esperar um fato ainda mais grave para nos mobilizar. As pessoas precisam denunciar e exigir reação do poder público. Quando a cidade começa a ser tratada com desleixo, ela logo se perde em meio à sujeira, ao perigo e à pobreza que esse desleixo traz. BH precisa começar a lutar contra isso.

 

 

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