POLÍTICA POR PERTO

Mateus Simões / 02/04/2018 - 06h00

 


Desde antes de ser eleito vereador em 2016, sempre tentei aproximar a política das escolas, onde as mentes estão ainda frescas e abertas; onde o cinismo ainda não dominou os espíritos; e onde estão as pessoas de bem que, se não se posicionarem, serão usadas pelos bandidos que profissionalmente ocuparam o espaço público ao longo das últimas décadas.

Na semana passada recebi, na Câmara Municipal, alunos do Colégio Santo Agostinho, com idade entre 9 e 10 anos. Perguntei a um deles do que ele lembrava quando ouvia falar de políticos e ele, com a sinceridade própria das crianças respondeu: “propina, polícia”. Outro falou: “justiça”… Já me dá arrepios saber que uma criança de 9 anos domina o sentido de propina – mas essa é a realidade em que vivemos.

Perguntei também o que eles consideravam ser o papel de um político. Foram bem: cuidar da cidade, cuidar das pessoas, ajudar a resolver problemas muito complicados… Na sequência, pedi que levantasse a mão aqueles que se consideravam “boas pessoas” – e todos eles levantaram as mãos.
Terminei perguntando quem deles já havia pensado em ser político – uma aluna levantou a mão, depois desistiu e se recolheu… Daí perguntei: “E como vocês acham que a política pode melhorar se todas as pessoas boas dessa sala se recusam a vir para cá”? O raciocínio é simples e quase infantil, como o público; e também verdadeiro, como os meus ouvintes.

No ano passado, tive experiências como essa em várias entidades e com alunos de todas as idades, desde a PUC, UFMG e Faminas, passando por alunos do ensino médio como os do Logosófico e do ensino fundamental em visitas pela Câmara ou idas minhas às instituições. Este ano continuo no mesmo esforço, de convencer jovens de que o fato de eles desistirem da política não fará com que os políticos atrapalhem menos a vida de cada um. Ao contrário, garantirá que os piores continuem a ser indefinidamente eleitos.

Para quem tem a vida inteira pela frente, como uma criança ou um jovem, o problema é ainda mais sério, pois o tempo de exposição será maior. Não se trata de ir a uma escola ou faculdade falar do meu partido ou do meu mandato, mas de provocar esses jovens para que reflitam se não há uma outra política possível. Longe da propina e da polícia e mais preocupada com as pessoas. Porque é no raciocínio simples e direto de uma criança que se percebe, de forma mais evidente, que não há esperança possível para um povo que deixa de acreditar no futuro e não há futuro possível para um país que continue a ser governado como o nosso.


 

 

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