Aliados de Aécio boicotam encontro de tucano em BH

Orion Teixeira / 02/09/2015 - 08h49
Como foi sugerido aqui, nessa terça, pela coluna, não foi casual a ausência de aliados do PSDB no evento partidário estrelado por seu presidente nacional, o senador Aécio Neves, em Belo Horizonte. Há uma insatisfação latente entre eles pelo tratamento recebido, ou não dado. O PSDB continua como dantes, senhor de si, apontando caminhos, mas sem consultar os apoiadores. Fora o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, que preside o PSB, os representantes do DEM, PP, PPS, PTB, PV e PR, entre outros, não compareceram. Se foram convidados, não deram presença; se não houve o convite, o que é improvável, pior ainda.
 
Useiro e vezeiro em fazer citações a la Tancredo Neves (avô e ex-presidente da República), o neto deve se lembrar de uma delas segundo a qual, em política, o gesto vale mais do que o ato. Será que a ausência dos aliados teria algum recado? A insatisfação deles reage ao estilo centralizador, mas, escaldado pelo fracasso da última eleição, os aliados estão dispostos a rejeitar candidaturas do “bolso de colete”.
 
É preciso notar ainda que o quadro político mudou de 2014 para 2015: nem todos são mais aliados. O PV, se não lançar Délio Malheiros (vice-prefeito de BH), ficará com o grupo do PT/PMDB (atual governo), assim como o PSD e o PR.
 
Riscos de Lacerda
 
Já o parceiro mais fiel, o prefeito Marcio Lacerda corre o risco de ser engolido pelos tucanos, caso coloque, como fez na segunda-feira, a gestão na frente da eleição, quando disse que não era hora de discutir candidaturas. Há um calendário do qual Lacerda, que é presidente de partido, não pode ignorar. Dia de 5 outubro é o prazo final de filiação. Quem não tiver filiado, fica fora do páreo (atenção, secretário de Obras de BH, Josué Valadão). De outro lado, se o prefeito jogar com apenas um nome, corre o risco de ficar sozinho.
 
Placar eleitoral 2
 
Ainda assim, na condição de gestor, Lacerda tem lá alguma razão. Nesse ambiente de crise econômica, não dá para ficar cuidando só de eleição. A coisa chegou a tal ponto que, se for levado a sério, Belo Horizonte tem hoje mais de 30 pré-candidatos a prefeito, dos quais 17 são do campo político do prefeito. Aí, realmente, não dá para fazer administração mesmo.
 
Dilma dá a mão a Cunha
 
A presidente Dilma Rousseff deu sinais nessa terça de que está revendo seus conceitos e reconhecendo a importância da interlocução política. Partiu dela a iniciativa de convidar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), para discutir saídas para o déficit consumado no orçamento do ano que vem e equilibrar as contas públicas. E o fez na hora certa, quando Cunha está em baixa e, cada vez, mais isolado no Legislativo, Dilma estende-lhe a mão. O encontro de segunda-feira à noite, entre eles, foi o primeiro após o rompimento anunciado por ele.
 
A situação, hoje, mudou a tal ponto que está mais fácil Cunha cair do que Dilma. Até o PSDB o abandonou, conforme declaração de Aécio Neves, na semana passada, sugerindo que ele deixe o cargo caso o Supremo Tribunal Federal aceite a denúncia feita pelo procurador da República. Acusado de receber propina de US$ 5 milhões do esquema de desvios na Petrobras, a única saída dele é se reaproximar do governo para não ser cassado.
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